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domingo, 19 de julho de 2009

Amigo

Há dias em que nada tem graça:
A lua brilha sem luz,
O Sol arde sem queimar,
E a água não mata a sede.

Tudo a nossa volta é vazio.
As palavras não se encaixam,
Os pensamentos são fúteis,
A vida treme no fio da navalha.

Os livros já não tem mais significado.
Os discos não conseguem aconchegar...
A tela do micro é uma pedra de gelo
E o carteiro se esquece de chamar à porta.

As curvas da estrada já não dão emoção.
O ronco do carro agora é barulho!
O locutor é um chato desmedido
E nem mesmos as propagandas conseguem fazer sinal.

Estamos cercados da mesmice!
A casa é mesma,
O corpo ao lado é só corpo,
A bagunça na sala já não traz alegria.

A solidão parece um caminho.
O roleta russa uma obsessão!
Mas na hora do gatilho, o último sentido:
A voz do amigo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tempo


Por que parar o tempo?
Não é dele a culpa dos nossos atropelos
Da insensatez em dizer o que nos vêm
Sem antes repensar a palavra

Por que parar o tempo?
A terra continua girando
As flores teimam em respirar
E a vida ressurge sobre as mágoas

Por que parar o tempo?
O desrespeito ainda impera
Não ouvimos o vento
Ignoramos a inocência
Andamos sobre nuvens

Por que parar o tempo?
Acreditamos que a verdade é única
Que o outro é feio
Que o mundo é cruel
Que somos imbatíveis

Por que parar o tempo?
Insistimos em quebrar as regras
Não ouvimos os sinais
Somos quase Deuses

Por que parar o tempo?
Se não for pra reflexão
Pros ajustes finais
Pra agradecer à vida...

domingo, 5 de julho de 2009

Músculo


Músculo é força
Músculo é engrenagem
Músculo é selvagem

Músculo é apoio
Músculo é pressão
Músculo é tesão

Músculo é arte
Músculo é ofício
Músculo é tenro
Músculo é difícil

Músculo é sede
Músculo é gana
Músculo é desejo
Músculo é beijo