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domingo, 25 de abril de 2010

Vida


Queria escrever um verso
que pudesse exprimir meu universo
Mas tão vasto é meu desvato mundo
que poderia ficar vagabundo

Parti para o poema,
mas como uma Ema
tentei e não consegui voar

Misturei sentimentos
e toda a melancolia saltou à folha
Eram só rudimentos

Restos de amores, raivas, orgulho
tempo perdido na estrada
palavras jogadas no vento
sem eco, sentido ou sentimento

Desisti das linhas
larguei à pena
e mergulhei em mim

A aventura poética acabou,
mas o mergulho na alma
vai me trazer a tão procurada calma.

domingo, 9 de agosto de 2009

Recomeço

Chega uma hora na vida
em que tudo parece torto:
a música não rola,
o chope não desce,
e a cabeça não pára de rodar.

Qualquer palavra é xingamento;
a resposta ao "oi" é tchau!
Os minutos demoram a correr
e a estrada fica longa demais.
Não há luz no fim do túnel.

A poesia que antes despertava
teima em dar sono.
Os filmes da TV são repetidos.
Na agenda não há sobrenomes
e a linha está sempre vazia.

Na garganta apenas um nó
apertado pela culpa.
As entranhas contorcidas
insistem em gritar,
mas no vento não há eco.

Tô sozinho nessa imensidão.
Olho pro mundo e não vejo estrelas,
pro tempo e ele já se foi...
pra dentro e não vejo saída;
pra alma e quase desisto!

Paro pra pensar de novo.
Insisto em buscar caminhos.
Brigo com meus monstros,
me escangalho por inteiro.
No último suspiro derroto a soberba.
É hora de recomeçar!

domingo, 19 de julho de 2009

Amigo

Há dias em que nada tem graça:
A lua brilha sem luz,
O Sol arde sem queimar,
E a água não mata a sede.

Tudo a nossa volta é vazio.
As palavras não se encaixam,
Os pensamentos são fúteis,
A vida treme no fio da navalha.

Os livros já não tem mais significado.
Os discos não conseguem aconchegar...
A tela do micro é uma pedra de gelo
E o carteiro se esquece de chamar à porta.

As curvas da estrada já não dão emoção.
O ronco do carro agora é barulho!
O locutor é um chato desmedido
E nem mesmos as propagandas conseguem fazer sinal.

Estamos cercados da mesmice!
A casa é mesma,
O corpo ao lado é só corpo,
A bagunça na sala já não traz alegria.

A solidão parece um caminho.
O roleta russa uma obsessão!
Mas na hora do gatilho, o último sentido:
A voz do amigo.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Tempo


Por que parar o tempo?
Não é dele a culpa dos nossos atropelos
Da insensatez em dizer o que nos vêm
Sem antes repensar a palavra

Por que parar o tempo?
A terra continua girando
As flores teimam em respirar
E a vida ressurge sobre as mágoas

Por que parar o tempo?
O desrespeito ainda impera
Não ouvimos o vento
Ignoramos a inocência
Andamos sobre nuvens

Por que parar o tempo?
Acreditamos que a verdade é única
Que o outro é feio
Que o mundo é cruel
Que somos imbatíveis

Por que parar o tempo?
Insistimos em quebrar as regras
Não ouvimos os sinais
Somos quase Deuses

Por que parar o tempo?
Se não for pra reflexão
Pros ajustes finais
Pra agradecer à vida...

domingo, 5 de julho de 2009

Músculo


Músculo é força
Músculo é engrenagem
Músculo é selvagem

Músculo é apoio
Músculo é pressão
Músculo é tesão

Músculo é arte
Músculo é ofício
Músculo é tenro
Músculo é difícil

Músculo é sede
Músculo é gana
Músculo é desejo
Músculo é beijo