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sábado, 16 de julho de 2016

Os jovens e a tal 'ostentação'

- O comédia tá doido pra perder o celular.
- Quer aparecer!
- Já já vem um doído e acaba com a onda dele.

Ouvi essa conversa quando chegava à escola pra buscar meu filho. Partia de dois meninos criticando a atitude de um colega que simplesmente falava ao celular na calçada à vista de qualquer um. Ele usava um desses aparelhos modernos que parecem pé de fruta e já vem com uma maçã! Não parecia ter qualquer pretensão de usurpar olhares, mas já havia virado motivo de chacota. Talvez porque o sonho de consumo de seus críticos seja possuir um brinquedinho igual, que além facilitar a comunicação funciona praticamente como minicomputador.

A situação anda tão feia no Rio de Janeiro que ninguém mais pode usar seus objetos sem medo, pensei; achando que era essa também a preocupação dos meninos. Mas, logo percebi que estava errado quando cheguei mais perto e pude ouvir o fundo musical de toda aquela crítica. Em seus aparelhos menos vistosos, mas também potentes, os manos se deliciavam ao som dos “novos pensadores brasileiros.”

Olhei pro espelho e preparei um plano
Cordão de ouro pesado
Rolex tenho sobrando
No meu guarda-roupa uma coleção de kit's
Só estampa de marca parece uma loja de griff
Entrei na minha garagem puro conforto das naves
Bmw-X6 e uma linda maserati
Mais que bela visãodo Ap do Guarujá
A vida agora é Vip com a lancha de 3 andar

Meu Deus, que porcaria, sussurrei tentando entender o que se passa na cabeça dos jovens de hoje. E enquanto esperava meu filho dar as caras consegui prestar atenção ao refrão de outra maravilha que, ainda por cima, tinha a pretensão de soar como poesia:

Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é, nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho eu quero dividir
Ostentar pra esperança levar e o mundo sorrir

Caramba, devo estar velho. Na minha época “levar esperança” não tinha nada a ver com ostentação. Acompanhar a trajetória de um menino pobre que consegue superar as adversidades e se formar na universidade, muitas vezes como o primeiro graduado de sua família, isso sim nos fazia acreditar em dias melhores.

O fato é que as coisas mudaram. Os jovens mudaram. As famílias mudaram e os valores foram deixados de lado. Minha avó, professora por mais de trinta anos, costumava dizer que a tarefa da escola é alfabetizar a criança e estimular o jovem através de atividades pedagógicas e do raciocínio lógico a adquirir conhecimento pra que quando adulto esteja preparado pra decidir o que fazer da vida. Mas, mais importante que isso, cabe à família educar seus filhos através de exemplos e da vigilância.

Uma criança criada numa casa onde há diálogo e estímulo à leitura... onde se ouve boa música, se vê bons filmes e programas de qualidade... onde se discute política, comportamento e relacionamento social... onde se fala de tudo, absolutamente tudo, e se põe regras e limites terá maiores chances de se tornar um jovem crítico e de bom convício social. Certamente este indivíduo não fará da ostentação uma filosofia como querem os MCs por eles idolatrados hoje.

É preciso trazer discussões como sexo, drogas, dinheiro, desemprego, violência, educação, respeito ao próximo, amor próprio, religião, importância dos estudos e do trabalho pra roda de conversa com os filhos. Conceitos de segurança púbica e responsabilidade social. Estamos forjando cidadãos e não esculpindo estátuas.

Lares desajustados onde não há qualquer tipo regra e o crescimento das crianças corre a gosto do freguês inibem o senso crítico e permitem amizades perigosas e escolhas equivocadas. Infelizmente, muitas famílias estão deixando pras escolas e pro mundo à educação de seus filhos. E nesta inversão de papéis produzindo meninos e meninas mais atentos à ostentação que preocupados com a sociedade em que vivem.

Em outros tempos, penso que ao invés de criticarem o colega que ostentava um celular caro no meio da rua aqueles meninos, da escola do meu filho, teriam aconselhado o rapaz a usar seu telefone apenas em ambientes seguros, como o pátio do colégio para autoproteção. Mas, como estou ficando velho, talvez esteja enganado. Será?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A comunicação e o comunicador


Pensar o jornalismo moderno sem os meios eletrônicos é tarefa impossível. Não identificar a importância da imagem, da instantaneidade da internet e da velocidade em que se multiplicam as informações é perder a lógica da comunicação atual. Temos que pensar a notícia de forma integrada. Estamos cercados de meios, mas esquecendo de determinar seus fins. Esta pluralidade pode significar o estrangulamento da informação pela diversidade das mídias.

É preciso estar atento. Quando o telejornalismo surgiu no Brasil, nos idos de 50, chegamos a profetizar o fim do rádio como veículo jornalístico. Por um momento acreditamos que a divulgação de imagens poderia dar fim a comunicação verbal. Algum “vanguardista de plantão” exclamou aos quatro ventos: “a imagem diz mais que qualquer palavra”, mas para o bem da comunicação social ele estava errado e ficamos felizes em ver o surgimento das rádios all news no fim da década de 90.

O rádio é e talvez por muito tempo ainda continuará sendo o veículo de informação mais democrático da era moderna. A radiodifusão une pessoas das mais diversas raças, classes socioeconômicas e nível intelectual. O alto executivo ouve a Lúcia Hipólito, na CBN, e fica informado sobre a redução do IPI do mesmo jeitinho que seu João, um hulmide lavrador, descobre na voz do Canázio, pela AM, que agora pode comprar sua primeira geladeira porque o preço caiu.

A televisão tem sua força e seu espaço. Em tempo real nos mostra como é a vida do outro lado do mundo. Mesmo quem não sabe ler ou escrever consegue entender que na China as pessoas não usam garfos para comer macarrão, o fazem com o auxílio dos “palitinhos”. Dá até pra rir disso e ficar informado ao mesmo tempo. Também através da telinha podemos entender que a Tsunami é uma “onda do mar revoltada” que destrói tudo que vê pela frente, sem que para isso precisemos ser especialistas em meteorologia.

A imagem diz muito sim; marca momentos, locais e, por vezes, expressões impossíveis de serem narradas como a cara de um político ao ser desmascarado em rede nacional. Mas, quase sempre, precisa de complemento. A simples imagem da enchente de um rio pode ter diferentes significados. Para que seja compreendia claramente carece de apoio: é preciso localizar o fato, identificar os envolvidos, causas e consequências, seja através da locução ou da inserção de legendas. A palavra exerce seu papel de encadeadora do raciocínio em qualquer veículo. Cabe ao jornalista moderno essa “simbiose”.

Hoje vivemos a era da informação digital. Estamos cercados de portais, sites, blogs. Temos o Orkut, o Twitter, o Hi5... A cada instante recebemos um novo e-mail cheio de informações ou novas “fofocas” pelo MSN. Os scpraps estão aí! Até mesmo o celular perdeu sua função prerrogativa e agora serve como display para notícias das mais variadas. A “terceira guerra mundial” já começou e, nós comunicadores, precisamos nos armar!

Quem hoje em dia, nos grandes Centros, consegue se ver livre da internet? Nessa rede mundial é possível descobrir o mundo, entender a política, a economia, fazer pesquisas escolares, bater-papo e ainda ver as últimas gatas da Playboy. A sociedade moderna exige novas informações a todo instante e precisamos qualificá-las porque queiram os magistrados ou não, somos jornalistas por formação. Temos que alimentar a rede com notícias, números e informações de toda natureza na velocidade digital. Não temos tempo a perder!

Precisamos nos preparar. Entender que o rádio está presente no dia-a-dia da sociedade e que fala para todos os que podem ouvir, sem pedir licença! Não podemos desqualificar o veículo muito menos o ouvinte. Ao escrever "pro Rádio" lembrem-se do seu João lá do sertão da Bahia. Para ele “Redução de IPI” significa apenas que o preço da geladeira baixou. Então se faça entender!

Quando for pensar uma matéria pra TV não esqueça: tudo aquilo que pode ser mostrado não precisa ser dito! Mesmo as pessoas de raciocínio lento rapidamente entendem quando uma matéria é repetitiva, cansativa e chata. Ganhe tempo, corte palavras. Utilize mecanismos como “sobe som”, “respiro”, “insert”, “videografismo”, cartelas, etc., para dar velocidade à informação e tornar seu VT mais atraente. Se for entrar ao vivo preste atenção para não repetir aquilo que foi dito por um entrevistado. Mais ainda, não responda às suas próprias perguntas!

Ao redigir para web fique atento: por mais horas que se passe diante do computador ninguém “tem saco” para textos intermináveis. Os links e hiperlinks servem exatamente para suprir o leitor de detalhes sobre determinada matéria. Só quem realmente precisa "mergulhar" em determinado tema irá clicar ali. Portanto, seja breve: privilegie as informações mais importantes no seu texto. Na grande rede tem mais peso as informações em tempo real. Junte a isso imagens interessantes numa mesma janela utilizando plug-ins!

O jornalista que pretende sobreviver nos dias atuais precisa ser versátil, inteligente. Sagaz ao ponto de perceber as diferenças entre os veículos, suas funções, seus públicos-alvo. Só assim é possível escrever, falar e mostrar informações coerentes. Seja no rádio, na TV ou na Web só há vagas para profissionais bem "formados", informados e com facilidade de adaptação. Qualifique-se se de fato quiser fazer valer o diploma de jornalista. Caso contrário, o Gilmar Mendes terá razão!

sábado, 1 de agosto de 2009

Ultimato

Muitas vezes pecamos em acreditar que tem que vir do outro a nossa oportunidade de melhora, de crescimento. Acreditamos sempre que fizemos a nossa parte e que se tudo está errado não temos culpa. Até mesmo o Sol brilha por pura obrigação! E as tempestades, essas são culpa dos outros.

Acordamos e pedimos bênçãos para um dia melhor, mas esquecemos, sumariamente, de agradecer pelo pão de ontem. Pedimos novas oportunidades de trabalho, mas esquecemos de recordar os erros anteriores para usufruir de forma consciente daquilo que está por vir.

Sem percebermos, nos tornamos rudes, frios, duros e nada pragmáticos. Exaltamos, ainda que inconscientemente, os erros e aflições dos outros. Estiramos o dedo sobre a ferida alheia sem oferecer um antídoto contra o mal. Mas sempre que a pedra nos dói no pé pedimos colo. Assim é a vida. O cotidiano. O dia-a-dia.

Nossa visão turva nos impede de enxergar as oportunidades que estão à nossa frente. A cada esquina nos deparamos com cidadãos vendendo balas, catando recicláveis, se expressando artisticamente em troca do pão. Mas para nós que continuamos cegos, são apenas pobres coitados. Que pena, estes sim sabem o valor de arregaçar as mangas e não perdem tempo "pedindo esmolas" à espera do amanhã.

Indiferentes a causa, continuamos batendo às portas das empresas, mandando e-mails, escrevendo blogs, acessando o twitter e participando das inúmeras dinâmicas em grupo. Acordando cedo para enfrentar mais uma fila na porta do Serviço Nacional de Empregos. E o pior, depois de ter feito a mesma coisa durante os últimos tantos meses.

Todos os dias vemos manchetes versando sobre demissão nas grandes redações do país. São colegas que contribuíram anos e anos para o crescimento de jornais, revistas, rádios e TVs e que agora vão engrossar o coro dos descontentes. Centenas de profissionais que vão acordar e esperar. Mover-se, vez em quando, em direção à fila do SINE mais próximo sem qualquer perspectiva de melhora.

Vamos parar de esperar e agir. Somos comunicadores. Precisamos mostrar ao mundo que podemos mudá-lo sim, começando do nosso próprio umbigo. Vamos meter as mãos na massa. Criar nossos veículos de expressão. As oportunidades estão diante de nós, só precisamos enxergá-las.

Se não podemos escrever para os leitores do nosso Estado, então vamos colocar nossos rabiscos nos jornais de bairro. Se não nos deixam falar nas grandes AMs e FMs, então recorramos às rádios comunitárias. Se acreditamos na credibilidade de nossa imagem por que não investir nas WebTvs e nos canais fechados? Quer ser visto por milhões de pessoas? Então utilize o twitter para que te sigam através dos teus blogs e websites. Não gostou de nenhuma dessas idéias, ainda te resta uma oportunidade: torne-se assessor de imprensa e ajude a divulgar a imagem de empresas e pessoas nestas mesmas mídias.

Colegas: precisamos nos mexer! Acabaram de rasgar nosso DIPLOMA, mas não conseguiram nos tirar o conhecimento. Esse é só nosso e podemos ainda comercializá-lo. Não há mais exigência do curso superior para exercício do jornalismo, mas é preciso estar preparado. Olhe aí mais uma oportunidade: vamos preparar os novos “jornalistas”. Que tal vendermos nosso conhecimento?

O importante é parar de esperar que tracem o nosso caminho. Vamos pôr o pé na estrada. Lutar pela nossa vida, gente! Se for preciso, vamos pra rua catar papelão, Pets, alumínio, ferro... Dançar, cantar, recitar poesias nas praças. Vender pamonha, refrigerante e pipoca nos sinais. Ou então, deixar a preguiça e o comodismo de lado e fazer jornalismo de verdade e independente! A escolha é nossa!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Conclusão da oficina de telejornalismo ministrada por Robson Fraga


Joyce Trindade, Rosária Farage, PC Jr., Robson Fraga, Marco Aurélio,
Laila Wajntraub, Diogo Moraes e Claudia Magalhães

Chegamos ao final de mais um curso prático de Telejornalismo, no Rio de Janeiro; desta vez coordenado pela Rio Press. Durante 11h/aula, pudemos relembrar uma parte da história do telejornalismo, discutir pautas, pesquisa e ética. Treinamos técnicas de entrevista, impostação de voz, redação e locução para telejornal, além da construção de video-tapes e entradas ao vivo. Vivemos intensamente os desafios da reportagem. Cada aluno gravou dois VTs que podem ser apresentados como portfólio.

Acredito que alcançamos êxito e cumprimos nossos objetivos. Fico feliz em saber que ao lado do cinegrafista Marco Aurélio pude contribuir para a formação destes novos profissionais do jornalismo carioca e confirmar ainda mais a necessidade da formação profissional. Veja o que alguns alunos acharam do curso:

- Quero muito trabalhar; construir minha carreira nesta área do telejornalismo. Espero chegar lá um dia. Já fiz curso de telejornalismo na Escola de Rádio, com o Guilherme Cardoso (um dos apresentadores do EM CIMA DA HORA, da Globo News). Foi muito bom, aprendi bastante! Com vc foi um reaprendizado excelente, Diogo Moraes.

- Achei você um excelente professor; aquele que sabe fazer, conhece bem o assunto e sabe transmitir. Acredito que pode continuar esse trabalho sem medo de ser feliz, Rosária Farage.

- Bom, quanto ao curso de telejornalismo gostei muito. Acredito que o embasamento teórico do primeiro dia foi essencial para que pudéssemos desempenhar bem as atividades práticas. Teria gostado ainda mais se o curso fosse mais longo, para que houvesse oportunidade de produzir mais de uma reportagem, afim de não cometer os erros cometidos na primeira. É isso. Grande abraço e até a próxima, Sabrina Onzi.

- Parabéns, Robson. As aulas fizeram com que eu tivesse mais sede em conhecer o telejornalismo. Adorei!!!!, Paulo Cézar Junior.

- Gostei muito do curso. Foi um pouco difícil porque não sou nem jornalista nem estudante, mas aprendi coisas importantes de postura, impostação de voz e técnicas de reportagem que não fazia idéia que existia. Não entendo como podem ter tirado a exigência do diploma, não dá pra sair por aí dizendo que é jornalista só da boca pra fora.Tem muita coisa que aprender em sala de aula e se eu tinha alguma dúvida da importância de um diploma emoldurado na parede se dissipou nessas três noites que passamos juntos. Foi muito bom, pena que foi tão pouco tempo. Achei sua didática muito boa, Claudia Magalhães.




Diogo Moraes, Rosária Farage, PC Jr., Robson Fraga,
Marco Aurélio e Laila Wajntraub


Marco Auréilo, Robson Fraga, Rosária Farage e Laila Wajntraub


Marco Aurélio, PC Jr., Rosária Farage


Marco Aurélio e Laila Wajntraub


Marco Aurélio e Joyce Trindade


Marco Aurélio e Claudia Magalhães


Marco Aurélio, Robson Fraga e Claudia Magalhães

Robson Fraga e Marco Aurélio

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jornalista sim, mas com DIPLOMA



Responda se for capaz: é possível que um açougueiro ocupe a posição de cirurgião em um pronto socorro com a mesma destreza? E um pedreiro, pode ele ser o responsável técnico por uma edificação no lugar de um engenheiro? Então porque qualquer um com uma voz bonita, certo domínio da língua portuguesa e alguma flexibilidade ideológica pode ser considerado jornalista? Sim, porque estas características também podem ser encontradas tanto no açougueiro quanto no pedreiro, mas nenhum deles está qualificado para ocupar a posição de bacharel em comunicação.

Andando pela região Norte de Goiás é possível encontrar a cada esquina um novo jornalista. Seja em rádios, jornais ou nas televisões sempre há alguém respondendo pelas funções de repórter, redator, editor, chefe de reportagem, etc., enquanto inúmeros colegas passam quatro anos em uma graduação, outros mais na especialização, e o resto da vida no subemprego ou em funções diferentes da que escolheram seguir. Porque será que aturamos isso? Somos fracos, omissos ou apenas acomodados?

Para se ter uma idéia, a Organização Jaime Câmara, afiliada Globo, com repetidoras em Goiânia, em várias cidades do interior de Goiás e até no Tocantins, prefere contratar locutores-entrevistadores em lugar de jornalistas para o setor de telejornalismo. Sabem por quê? Porque assim pagam o mísero salário de R$ 1.147,00 somados a duas horas-extras fixas - e nenhum benefício a mais - ao candidato “morto de fome” que se obriga a aceitar tal proposta.

Infelizmente a legislação trabalhista e a falta de um sindicato da categoria formado por pessoas ocupadas em defender nossos profissionais permitem esta brincadeira. Qualquer cidadão em Goiás entra para TV por ter boa aparência, dicção controlada e um bom texto; o registro de radialista, comprado por míseros R$ 50, lhe concede o “título” de locutor entrevistador e o torna apto a manter a população do Estado “bem informada”!

Nas rádios a situação é ainda pior. Locutores de voz rouca e boa articulação vocal se tornam âncoras de programas jornalísticos sem qualquer preparo. “Nós faz” é pronúncia comum e, acreditem, considerada normal! Plural não existe; mesmo para um conjunto de idéias e ações o singular vai bem. O jornalismo se restringe a mostrar obras do poder executivo e a falar mal do legislativo. Sim, porque a arrecadação das emissoras vem em quase sua totalidade dos pomposos contratos feitos com as prefeituras. Diga-se de passagem: os acordos têm fins publicitários – pelo menos no papel - e não jornalísticos. Mas eles não sabem o que isso quer dizer.

A Rádio 104.7 FM, do grupo Paulo Chagas de Comunicação, por exemplo, tem cerca de 75% de seu faturamento pago pela prefeitura de Niquelândia. Sua concorrente, a rádio Mantiqueira 860 AM, vai mais longe: 80% do que entra vem da mesma prefeitura e esta rádio só transmite dentro do município! Os diretores das emissoras ocupam cargos de confiança na prefeitura em funções distantes do departamento de comunicação para desmascarar a falta de ética. Em 2005, durante o mandato de Joaquim Tomaz de Aquino, a coisa era mais feia: o dono da AM, Márcio Rocha, respondia pela chefia de assessoria de imprensa da prefeitura e o diretor da FM, Joster Alves, era o chefe do cerimonial. Sabem quanto ganha o “jornalista” nas rádios? Apenas R$ 684 de piso por serem considerados apenas locutores. Se quiserem ganhar mais precisam vender publicidade para as rádios em troca de 20% do valor do contrato.

Nas redações dos jornais - se é que podemos considerar periódicos mensais cheios de erros e ortografia e totalmente parciais, como jornais - a situação se repete. Geralmente as capas trazem as praças inauguradas, os “quilômetros” de asfalto refeitos em operações tapa-buracos e a pintura, chamada de reforma, das escolas municipais. Ou, ainda, os encontros entre deputados estaduais e federais com os prefeitos e vereadores da base como matéria principal. As manchetes geralmente informam a assinatura de ordens de serviço custeadas por repasses de verbas oriundos de emendas orçamentárias do legislativo. Mas estas obras nunca saem do papel. Entre os “jornais”, destaque para O Diário do Norte (que é semanal e diz cobrir cerca de 15 municípios em Goiás); Cidade, O Estadão e Correio do Povo (mensários em Uruaçu); Jornal Cidade (mensário em Porangatu); e Jornal do Interior (quinzenário em Niquelândia).

Posso falar disso sim. Aliás, posso denunciar estas práticas arcaicas, detestáveis e reprováveis porque durante 2,7 anos estive atuando em TV, rádio e em três jornais da região Norte de Goiás (repórter na TV Rio do Ouro, editor na rádio 104.7 FM, editor do Jornal do Interior e repórter no Diário do Norte e no Sem Fronteiras - o único imparcial. Como fui contratado no Rio de Janeiro, meu Estado de origem, cheguei a Goiás numa situação um pouco melhor que a dos colegas nascidos, criados e formados por lá. Além de um salário um razoável contava com benefícios como moradia e telefonia grátis. Mas resolvi dar um basta nisso tudo e voltei pra casa. Quem sabe daqui não consigo ser mais útil na árdua tarefa de tentar dar voz aos nossos colegas goianos!

Precisamos nos unir, meus caros! Peguemos como exemplo os metalúrgicos de São Paulo que, quando querem, param o Estado e até o País em busca de melhorias salariais e de benefícios trabalhistas. Porque nos calarmos se nossa função é comunicar? Vamos propalar aos quatro cantos a necessidade do diploma de bacharel; da consolidação de um Conselho Federal de Jornalismo ou de uma Ordem dos Jornalistas do Brasil, como ocorre com outras categorias. Vamos exigir que a Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj, cumpra seu papel: denuncie; vá às ruas mostrar nossa indignação; bata às portas do Congresso em busca de soluções cabíveis e imediatas. Não podemos ser tratados assim! Sozinhos somos fracos, mas unidos podemos transformar o mundo!

Somos nós que mostramos aos brasileiros as mazelas do país e do mundo. Fazemos denúncias, desvendamos crimes contra pessoas e contra a ordem pública. Desmistificamos a economia para que todos saibam onde gastar o pouco que ganham. Traçamos o retrato fiel do “país do futuro”, mas necessitamos de respeito para ajudar o Brasil a ser a nação do hoje e sempre. Somos jornalistas e não podemos nos furtar de cobrar emprego, respeito profissional e defesa da categoria. Exigimos mudança já!

Precisamos tirar os deputados, senadores, prefeitos e vereadores da direção dos meios de comunicação porque são eles que impedem a mudança e preferem manter nossos empregos ocupados por outros profissionais; assim gastam menos e escondem a verdade nua e crua vivida diariamente pelos jornalistas do Brasil. Vamos lutar ou cruzar os braços e deixar os diplomas apenas enfeitando paredes? Alguém pode me responder?

Jornalismo: um meio para educar


Já virou rotina ouvir da boca de intelectuais renomados que a educação é o caminho para a mudança de atitude; que só com educação podemos deixar de ser “o país do futuro” e garantir uma cadeira de respeito na ONU; que a educação é o único meio capaz de livrar o jovem do crime; e que a educação é o viés de transformação político-social do mundo.

Muitos deles se arriscam em dizer que a miséria é fruto da desinformação originada pelo analfabetismo funcional, mesmo sem saber que isso não é uma construção gramatical, mas uma sentença de vida. Políticos, ditos “politizados”, vão mais longe ainda: afirmam, sem qualquer conhecimento de causa, que sem educação não há fome que chegue a zero! Mas por que será que não ouvimos falar por aí que educação só se constrói com informação de qualidade?

Ora bolas, precisamos entender de vez que informação sem conteúdo é como um livro com páginas em branco. Que nariz de cera só serve para servir aos interesses empresariais dos intelectuais acostumados a pôr a culpa da falência social brasileira na falta de educação, sem antes procurar uma saída. Precisamos entender que educar não é apenas criar vagas em escolas que simbolizam bandeiras políticas. Temos que entender que comunicar bem através de todos os canais e signos, contextualizando a informação, é antes de tudo, educar.

Ninguém precisa ir à escola para aprender onde começa e termina seu direito. Que respeito é moeda de troca no mercado social. Que muito obrigado às vezes é muito mais do que um simples agradecimento: é um poderoso veículo capaz de formar consciência social. Não podemos subestimar o próximo com linhas mal traçadas nos jornais; com imagens abertas que muito profissionais juram dizer tudo e muito mais do que palavras. Não podemos nos dar o direito de utilizar a democrática radiodifusão para confundir ou enganar as consciências mal formadas nos bancos escolares e nas sarjetas.

Precisamos nos guardar para o fato de que um livro deve ser entregue com a mesma empolgação com que se oferta um brinquedo ou flores. Não podemos deixar de marcar na memória de nossos filhos a imagem de um inicio de domingo regado por um bom café da manhã seguido de uma atenciosa conversa após a leitura de ao menos um jornal. Temos a obrigação, enquanto cidadãos de vanguarda, formadores de opinião, de reunir a família não só para acompanhar a novela preferida, mas para assistir e discutir as notícias veiculadas nos telejornais.

Atitude, companheiro, não é espera é ação. Informação, colega jornalista, nem sempre é noticia, mas noticia é sempre uma boa informação. Com jornalismo se faz educação e se forma uma sociedade política capaz de se tornar uma nação vitoriosa. É preciso estar atento, a cada segundo, ao mundo em nossa volta. O olhar crítico e pragmático faz de um comunicador social um jornalista. O acúmulo de experiência e a falta de soberba é o segredo da formação sócio-profissional. Não podemos nos envergonhar em não saber tudo, mas precisamos ter humildade para assumir nossas deficiências e primeiro perguntar, esmiuçar, entender, contextualizar e refazer para só depois informar. Essa é a única forma de fugir do grotesco e do antagônico.

Educar não é mera função de professores, é obrigação de cada um de nós comunicadores. Podemos errar sim, afinal somos seres-humanos. Mas temos que estar convictos de que corrigir o erro é tarefa imediata. Não podemos escrever errado, falar errado, nos portar de forma inconveniente e achar que está tudo bem. Precisamos assistir a nossos vídeos, ouvir nossas sonoras, ler e reler nossos textos. Ouvir e assimilar críticas. Acreditar que o outro pode sim ter razão. Não somos donos da verdade, mas colaboradores da formação humana.

A educação e a questão dos métodos


Já não é de hoje que procuramos desculpas para os baixos índices de qualidade aferidos na educação nacional. Há anos se fala da falta de qualificação do professor e nada se faz para mudar a situação. Questões relativas ao salário pago, quase que irrisório, são temas de debates em toda a América Latina e nenhuma solução definitiva é apontada e executada.

Também virou lugar comum apontar o dedo em direção à carga horária de aula, trazendo como válvula de escape a jornada integral para o aluno. Eba! Vamos dar a eles alimentos três vezes ao dia, esporte, lazer, etc. Ah, esquecemos que precisamos dar livros também. Pior, antes temos de ensinar o aluno a ler! Ih, mas isso dá muito trabalho e também educa! Como as velhas raposas vão continuar no poder?

O problema da educação passa, primeiramente, pela deficiência do método. Não adianta mais insistirmos em utilizar com os alunos da zona rural as mesmas técnicas ofertadas nas grandes capitais, por exemplo. É preciso atentar, como disse o velho e saudoso Darcy Ribeiro, aos regionalismos. Porque dizer que está errado pronunciar “eu vou mais ela” em lugar de “eu vou com ela”? Os dois não vão juntos, não é uma adição?

Precisamos dar alimentos aos que tem fome de comida, mas saciar, antes, a fome de cultura. Aprender ensinado, como disse Cora Coralina. Temos de entender que um piso nacional para professores dignificará o trabalhador sim, mas não garantirá educação de qualidade porque dependendo da região onde atua o professor esta gratificação não será capaz, sequer, de custear sua requalificação. Quiçá, conseguirá um colega mais distante conhecer Darcy, Cora, Paulo Freire, Machado e Eça de Queiroz.

Um estudo apresentado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, há dez anos atrás, na Câmara Federal, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, indicou que o Brasil precisaria investir 5,3% do PIB para garantir uma educação de qualidade. Valor definido a partir de um levantamento elaborado em 2002 que revelava necessidade de se investir anualmente entre R$ 1.714 a R$ 4.140 por aluno, dependendo da série em que estivesse matriculado. Mas até agora continuamos aplicando diretamente aproximadamente R$ 900 por aluno nas regiões interioranas do Brasil. Até quando vamos continuar errando?

Naquela época, a coordenadora do estudo, Denise Carreira, propôs que o indicador servisse de referência para regulamentação do Fundeb que hoje já deixou de ser apenas um sonho. O novo fundo propõe uma gratificação mínima de R$ 1000 aos professores do ensino fundamental em todo o Brasil, o que segundo os educadores ajudaria a motivá-los a mudar o quadro horrendo da educação nacional. Além, disso, sugere que o investimento por aluno fique na casa de R$ 1.500, o que dignificaria a educação com investimentos em materiais, laboratórios e práticas extracurriculares. Agora, resta esperar que os homens de colarinho branco que comandam a educação nacional tomam vergonha e passem a perceber que cidadãos bem formados mudam a cara de um país subdesenvolvido que há anos espera que o futuro chegue mais cedo. Temos a faca e o queijo nas mãos. Precisamos apenas cortá-lo!