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quarta-feira, 17 de março de 2010

Nas mãos do destino


A situação está insustentável. A sensação de insegurança vivida, hoje, pelos moradores de Lucas do Rio Verde é alarmante. De um a lado a polícia, que em todas as explicações diz que a situação é normal, embora todos os dias os boletins de ocorrência continuem registrando roubos, furtos, tráfico de drogas e outras mazelas sociais. Do outro lado, a imprensa que sempre cobra respostas para a sociedade e que não consegue; seja por omissão do poder público ou por que a PM não tem o que responder. Mas porque será? Será que falta verdade, comprometimento ou apenas efetivo policial, como comandante costuma a dizer!?

Sabemos que as polícias estão atuando. Mas nenhuma explicação dada até o momento justifica o excessivo número de ocorrências que são apresentados todos os dias. A sensação de insegurança continua tomando conta da população. Prova disso, são as inúmeras ligações que chegam às redações das TVs e jornais.

São moradores indignados com os furtos às residências que tomaram conta da cidade; roubos e furtos ao comércio, prostituição nas ruas, como é comum no bairro rio verde, e consumo aberto de drogas pelas ruas do mesmo bairro. Basta passar pela Rua Sarandi ou pela Avenida Bahia qualquer noite para ver menores e adultos fumando pasta base do cocaína e comercializando a droga abertamente, aos olhos de quem quiser ver.

Além disso, recebemos muitas ligações reclamando da demora da PM no atendimento às ocorrências ou pelo mau humor como os cidadãos muitas vezes são atendidos pela polícia.

E o que resta à população? Esperar sem ter respostas efetivas ou se acostumar em receber respostas prontas e ineficazes? Até quando vamos continuar convivendo com tanta insegurança na cidade de Lucas?

Não queremos saber de quem é a culpa, queremos apenas ver a cidade limpa e poder voltar a sentir orgulho de viver em qualquer bairro de Lucas do Rio Verde.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Marketing Político e Comunicação de Marketing



A proposta oficial do marketing designa a esta poderosa ferramenta administrativa a obrigatoriedade da criação de necessidades dentro de um determinado mercado. Cabe então, a descoberta dos valores/produtos/serviços que os consumidores desejam ou vão passar a desejar a partir da influência oportunizada pela mensagem publicitária.

Costumo dizer que se observada de forma pragmática a palavra Marketing assume sua tradução literal: mercado. Pode-se, então, afirmar que Marketing é o estudo do mercado. É uma ferramenta administrativa que possibilita a observação de tendências e a criação de novas oportunidades de consumo visando à satisfação do cliente e respondendo aos objetivos financeiros e mercadológicos das empresas de produção ou prestação de serviços.

Philip Kotler vai além, para ele "marketing é a atividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”. Por tanto, aplicar esta teoria em campanhas políticas pode tornar o jogo mais interessante, apimentado e sagaz. Fazer o eleitor perceber que numa proposta partidária mais vale as novas idéias que às críticas ao trabalho antecessor pode ser uma agradável tarefa para marqueteiros que vislumbram um lugar ao sol nas próximas eleições.

Campanhas políticas necessitam de uma gama de informações dedicadas a cada passo, palavra, gesto e ação dos candidatos. Grande parte deles não conhece o produto que está oferecendo, a idéia transmitida em seus discursos ou a resposta dos eleitores às suas propostas. Cabe aos profissionais de marketing a filtragem destes dados e informações e o repasse a seus clientes. É preciso estar alerta: todo político é absurdamente cortejado e isso pode ser o primeiro passo à derrocada de todo o trabalho. Paparicos demasiados vindos de assessores e pares partidários massageiam o ego e cegam o competidor. Opor-se ao cliente, nesse caso, é uma necessidade profissional porque o objetivo é a vitória nas urnas e não o título de “belo”.

Em marketing político, a comunicação é como uma droga: em doses adequadas é medicamento, mas se demasiadamente utilizada torna-se um veneno fatal. Tomar a palavra a todo o momento banaliza a imagem do político. É preciso saber a hora certa de falar e sempre o que dizer. Antecipar-se ao entendimento do eleitor é a saída. O discurso correto traz nas entrelinhas tudo àquilo que o votante quer e precisa ouvir. O segredo da boa comunicação está nos detalhes e na oratória moderada. A época das acusações e apelações politiqueiras ficou para trás.

Modernas campanhas eleitorais são multidisciplinares e envolvem profissionais de diversas áreas das ciências sociais e humanas aplicadas: antropologia, sociologia, política, economia, administração e comunicação social. Não existe mais espaço para improvisos baseados em intuição ou acordos políticos. A era do candidato centralizador de poder virou história. Tome como exemplo a vencedora campanha de Hillary Clinton ao senado americano após os escândalos sexuais que quase abalaram o segundo mandado de seu marido Bill Clinton, na Casa Branca. O que era para desmoralizar a imagem política da família, tornou-se trunfo quando "a família" foi posta em primeiro lugar com o perdão da esposa. Acompanhe algumas dicas e se torne um vencedor nas urnas.

ONDE O VOTO É MARKETING?

O voto é influenciado por três componentes distintos: ideológico, político e eleitoral.
  • Político - firmado de forma direta, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse fator é grande e chega a 80% da motivação dos votos.
  • Ideológico - influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afeta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.
  • Eleitoral - representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de atuação do marketing político. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir até 70% das decisões de voto.

MARKETING POLÍTICO x MARKETING ELEITORAL
  • O marketing político está relacionado com a formação da imagem a longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam projetar-se publicamente.
  • Já o marketing eleitoral é de curto prazo. As estratégias e as táticas de comunicação são montadas em cima de um ambiente vivo, já existente, em andamento e não de um ambiente criado.

O MERCADO ELEITORAL COMPETITIVO

O mercado eleitoral competitivo é composto por dois agentes básicos: candidato e eleitores. O candidato deseja do eleitor informação e voto. Informação para poder criar programas de atuação política e o voto para chegar ao poder e desenvolver o seu programa. Por outro lado o eleitor deseja do candidato uma boa comunicação e o cumprimento das propostas e dos favores.


O ELEITOR

Um dos problemas mais clássicos da ciência política é estudar e determinar o padrão de comportamento dos eleitores. Como ele pensa e decide o seu voto? Existe algum motivo para a escolha do seu candidato, quais aspectos que padronizam essa escolha? No Brasil, através de alguns estudos realizados sobre o comportamento do eleitor, chegou-se a um consenso de que existem três leis fundamentais de posicionamento do eleitor, são elas:
  • Lei da Indiferença: Onde o eleitor ao entrar na cabine eleitoral põe fim a um difícil processo de tomada de decisão. Nessa hora ele se lembra de Pelé, de Sílvio Santos, do macaco Tião e de outras personalidades de forte presença em sua mente, menos nos candidatos, porque para ele, é tudo igual, é indiferente votar nesse ou naquele candidato.
  • Lei da Procrastinação: Representa o máximo adiamento. Sempre que pode, o eleitor adia sua decisão de voto para o período mais próximo da eleição. Cerca de 90% das pessoas ao dirigir-se a cabine eleitoral já tem o seu candidato consolidado, mas 10% ainda entram para votar com muita dúvida; são os procrastinadores. Cuidado: esses eleitores podem decidir uma campanha mais acirrada.
  • Lei da efemeridade: As idéias e aspirações da sociedade obedecem a um ciclo de vida determinado: corrupção, ecologia, violência, etc. A lei da efemeridade trata dos ciclos das idéias e aspirações; onde elas nascem, crescem, se desenvolvem, desgastam-se e desaparecem. Defender uma causa ou uma idéia num momento em que o mundo inteiro não fala mais no assunto, como, por exemplo, a unificação econômica das Américas, é tornar-se retrógrado e ultrapassado já que o combate à fome e a violência é o assunto das rodas sociais.

O CANDIDATO

O candidato é o elo entre as causas públicas e o eleitor. É a primeira vitrine dos partidos, das ideologias, das estratégias de marketing e de seus ideais. Nele está representado todo o conteúdo eleitoral: um amplo contexto entre partido, ideologia, vida e participação social. Os fatores que compõem um candidato são:
  • Potencial próprio: sua capacidade de liderança, habilidades, comunicação, capacidade de discurso e carisma;
  • Fatores Internos de pressão: grupo político (partido ou facção) e grupo de financiamento;
  • Fatores Externos de pressão: eleitores e adversários.

COMUNICAÇÃO

Cada dia que se passa às pessoas são bombardeadas por milhões de informações e estímulos e, é claro, não conseguem processar e reter todas as informações. A mente simplifica o que é recebido aceitando apenas aquilo que interessa. A arte de se fazer ouvir, comunicar e persuadir é o caminho mais rápido para tocar o eleitor. A pirâmide de Maslow, por exemplo, mostra que as reações humanas aos estímulos são determinadas basicamente pelas necessidades básicas (fisiológicas) chegando às mais elevadas (auto-realização).

A mídia eletrônica, por sua onipresença e seu poder de influência, talvez seja o melhor canal de estímulo de massa. Sua linguagem se aproxima do cotidiano das pessoas de forma simples e direta. Sem pedir licença ou ser convidado, um candidato invade a sala de estar dos eleitores é tem sua melhor chance de persuasão. Nessa hora, equilíbrio e a moderação são indispensáveis.


PESQUISAS

Para Maquiavel “a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse”. Portanto, fica clara a importância da pesquisa na vida do candidato e mais ainda na vida do eleitor. Os fatores de maior relevância a serem apurados são: a imagem do candidato, sua trajetória política, carisma e empatia com o eleitor, programa de governo e sua principal meta, a profissão exercida, seu partido político, apoiadores e o grupo social em que está inserido ou se identifica.

Na eleição, como na guerra, grande parte das batalhas é decidida em tempos de paz. A preparação da campanha inicia-se com a avaliação do eleitorado, do potencial eleitoral do candidato e de seus prováveis inimigos. Devemos, então, tomar como ferramentas três tipos de pesquisas aplicáveis ao marketing político objetivando avaliar o eleitorado:
  • Pesquisas de opinião pública procuram mensurar o conhecimento da população sobre determinados assuntos como ecologia, privatização, AIDS, economia, política, área social e etc.
  • Pesquisas de acompanhamento e desempenho administrativo levantam os principais problemas da população, avaliam o desempenho dos governantes, aferem a imagem administrativa, o grau de conhecimento dos projetos e das obras realizadas e o grau de satisfação com os serviços públicos.
  • Pesquisas eleitorais, por sua vez, procuram detectar as intenções de voto do eleitor a cada momento, aferindo o potencial de adesão ou rejeição a cada candidato.

PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS
  • Mantenha sempre um trunfo contra seus inimigos e saiba quando deve ser acionado;
  • Conheça o que pensa o eleitor, antes de partir para a sua conquista;
  • A melhor forma de conquistar a mente a mente do eleitor é ser primeiro a chegar;
  • Não basta ter o perfil desejado pela população, é preciso associar sua imagem a ele antes dos adversários;
  • Trabalhe na linha de menor resistência ao posicionamento na mente do eleitor;
  • Procure maximizar os pontos favoráveis e minimizar as falhas, se possível convertendo-se em virtudes;
  • Procure antecipar o ciclo de idéias e aspirações que predominará no momento da eleição;
  • O eleitor sempre associará o candidato a continuidade ou mudança. Compatibilize sua imagem com a tendência predominante, respeitando os limites impostos por sua personalidade;
  • Concentre seu discurso na valorização e unidade do partido;
  • Convenção é sinal de força. Se for conveniente, antecipe a convenção;
  • Concentre forças no seu principal inimigo, não desperdice munição atirando para todos os lados;
  • Procure sempre antecipar-se aos movimentos de adversários que possam ameaçar sua posição antes que seja preciso reagir;
  • Confirme os defeitos do inimigo junto ao eleitorado. Ataque nesse ponto.
  • Procure demonstrar incoerência entre o discurso do candidato e seu passado;
  • Utilize a força de liderança para eliminar as possibilidades de reação do inimigo;
  • Redirecione forças para os segmentos que apresentam maior potencial de votos;
  • Se a polarização é inevitável, procure levar seu adversário para o campo que lhe seja mais favorável;
Fonte: VOTO É MARKETING, O RESTO É POLÍTICA. SEQÜELA, Jacques. Edições Loyola

MARKETING POLÍTICO PERMANENTE

O político eficiente tem na “comunicação” seu amuleto de sorte. Um problema resolvido não apresenta muito benefício à imagem do político, se não for adequadamente divulgado. Se o político se omite, não comunica, em determinadas ocasiões, ele deixa espaço para o crescimento da oposição e, conseqüentemente, para versões distorcidas de seus opositores.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jornalista sim, mas com DIPLOMA



Responda se for capaz: é possível que um açougueiro ocupe a posição de cirurgião em um pronto socorro com a mesma destreza? E um pedreiro, pode ele ser o responsável técnico por uma edificação no lugar de um engenheiro? Então porque qualquer um com uma voz bonita, certo domínio da língua portuguesa e alguma flexibilidade ideológica pode ser considerado jornalista? Sim, porque estas características também podem ser encontradas tanto no açougueiro quanto no pedreiro, mas nenhum deles está qualificado para ocupar a posição de bacharel em comunicação.

Andando pela região Norte de Goiás é possível encontrar a cada esquina um novo jornalista. Seja em rádios, jornais ou nas televisões sempre há alguém respondendo pelas funções de repórter, redator, editor, chefe de reportagem, etc., enquanto inúmeros colegas passam quatro anos em uma graduação, outros mais na especialização, e o resto da vida no subemprego ou em funções diferentes da que escolheram seguir. Porque será que aturamos isso? Somos fracos, omissos ou apenas acomodados?

Para se ter uma idéia, a Organização Jaime Câmara, afiliada Globo, com repetidoras em Goiânia, em várias cidades do interior de Goiás e até no Tocantins, prefere contratar locutores-entrevistadores em lugar de jornalistas para o setor de telejornalismo. Sabem por quê? Porque assim pagam o mísero salário de R$ 1.147,00 somados a duas horas-extras fixas - e nenhum benefício a mais - ao candidato “morto de fome” que se obriga a aceitar tal proposta.

Infelizmente a legislação trabalhista e a falta de um sindicato da categoria formado por pessoas ocupadas em defender nossos profissionais permitem esta brincadeira. Qualquer cidadão em Goiás entra para TV por ter boa aparência, dicção controlada e um bom texto; o registro de radialista, comprado por míseros R$ 50, lhe concede o “título” de locutor entrevistador e o torna apto a manter a população do Estado “bem informada”!

Nas rádios a situação é ainda pior. Locutores de voz rouca e boa articulação vocal se tornam âncoras de programas jornalísticos sem qualquer preparo. “Nós faz” é pronúncia comum e, acreditem, considerada normal! Plural não existe; mesmo para um conjunto de idéias e ações o singular vai bem. O jornalismo se restringe a mostrar obras do poder executivo e a falar mal do legislativo. Sim, porque a arrecadação das emissoras vem em quase sua totalidade dos pomposos contratos feitos com as prefeituras. Diga-se de passagem: os acordos têm fins publicitários – pelo menos no papel - e não jornalísticos. Mas eles não sabem o que isso quer dizer.

A Rádio 104.7 FM, do grupo Paulo Chagas de Comunicação, por exemplo, tem cerca de 75% de seu faturamento pago pela prefeitura de Niquelândia. Sua concorrente, a rádio Mantiqueira 860 AM, vai mais longe: 80% do que entra vem da mesma prefeitura e esta rádio só transmite dentro do município! Os diretores das emissoras ocupam cargos de confiança na prefeitura em funções distantes do departamento de comunicação para desmascarar a falta de ética. Em 2005, durante o mandato de Joaquim Tomaz de Aquino, a coisa era mais feia: o dono da AM, Márcio Rocha, respondia pela chefia de assessoria de imprensa da prefeitura e o diretor da FM, Joster Alves, era o chefe do cerimonial. Sabem quanto ganha o “jornalista” nas rádios? Apenas R$ 684 de piso por serem considerados apenas locutores. Se quiserem ganhar mais precisam vender publicidade para as rádios em troca de 20% do valor do contrato.

Nas redações dos jornais - se é que podemos considerar periódicos mensais cheios de erros e ortografia e totalmente parciais, como jornais - a situação se repete. Geralmente as capas trazem as praças inauguradas, os “quilômetros” de asfalto refeitos em operações tapa-buracos e a pintura, chamada de reforma, das escolas municipais. Ou, ainda, os encontros entre deputados estaduais e federais com os prefeitos e vereadores da base como matéria principal. As manchetes geralmente informam a assinatura de ordens de serviço custeadas por repasses de verbas oriundos de emendas orçamentárias do legislativo. Mas estas obras nunca saem do papel. Entre os “jornais”, destaque para O Diário do Norte (que é semanal e diz cobrir cerca de 15 municípios em Goiás); Cidade, O Estadão e Correio do Povo (mensários em Uruaçu); Jornal Cidade (mensário em Porangatu); e Jornal do Interior (quinzenário em Niquelândia).

Posso falar disso sim. Aliás, posso denunciar estas práticas arcaicas, detestáveis e reprováveis porque durante 2,7 anos estive atuando em TV, rádio e em três jornais da região Norte de Goiás (repórter na TV Rio do Ouro, editor na rádio 104.7 FM, editor do Jornal do Interior e repórter no Diário do Norte e no Sem Fronteiras - o único imparcial. Como fui contratado no Rio de Janeiro, meu Estado de origem, cheguei a Goiás numa situação um pouco melhor que a dos colegas nascidos, criados e formados por lá. Além de um salário um razoável contava com benefícios como moradia e telefonia grátis. Mas resolvi dar um basta nisso tudo e voltei pra casa. Quem sabe daqui não consigo ser mais útil na árdua tarefa de tentar dar voz aos nossos colegas goianos!

Precisamos nos unir, meus caros! Peguemos como exemplo os metalúrgicos de São Paulo que, quando querem, param o Estado e até o País em busca de melhorias salariais e de benefícios trabalhistas. Porque nos calarmos se nossa função é comunicar? Vamos propalar aos quatro cantos a necessidade do diploma de bacharel; da consolidação de um Conselho Federal de Jornalismo ou de uma Ordem dos Jornalistas do Brasil, como ocorre com outras categorias. Vamos exigir que a Federação Nacional dos Jornalistas, a Fenaj, cumpra seu papel: denuncie; vá às ruas mostrar nossa indignação; bata às portas do Congresso em busca de soluções cabíveis e imediatas. Não podemos ser tratados assim! Sozinhos somos fracos, mas unidos podemos transformar o mundo!

Somos nós que mostramos aos brasileiros as mazelas do país e do mundo. Fazemos denúncias, desvendamos crimes contra pessoas e contra a ordem pública. Desmistificamos a economia para que todos saibam onde gastar o pouco que ganham. Traçamos o retrato fiel do “país do futuro”, mas necessitamos de respeito para ajudar o Brasil a ser a nação do hoje e sempre. Somos jornalistas e não podemos nos furtar de cobrar emprego, respeito profissional e defesa da categoria. Exigimos mudança já!

Precisamos tirar os deputados, senadores, prefeitos e vereadores da direção dos meios de comunicação porque são eles que impedem a mudança e preferem manter nossos empregos ocupados por outros profissionais; assim gastam menos e escondem a verdade nua e crua vivida diariamente pelos jornalistas do Brasil. Vamos lutar ou cruzar os braços e deixar os diplomas apenas enfeitando paredes? Alguém pode me responder?

A guerra de vaidades: assessores x repórteres


A guerra de vaidades que tomou conta da categoria de profissionais em jornalismo nas últimas décadas tem imposto regras que impedem a difusão de notícias e favorecem a indústria da venda de informação. De um lado assessores de imprensa que pensam que podem escolher sempre onde divulgar seu material. De outro, repórteres e editores que acreditam ser os mandatários dos veículos e os donos da verdade.

Vivemos, então, uma dicotomia burra. Repórteres e editores precisam de fontes ao mesmo passo em que assessores precisam de voz e de holofotes para seus clientes. A questão não está em saber quem beneficia quem, mas em ater-se a regra de que os dois lados fazem parte de uma só moeda: o jornalismo. Não se faz reportagem sem que se tenha informação. Não se publica “verdades e certezas” sem que se tenha veículo.

Esquecemos que os assessores mais experientes foram repórteres em redações de ontem. Fingimos não ver que as assessorias são hoje as grandes portas de emprego para jornalistas. Vivemos a estagnação das redações e a não renovação do quadro de pessoal. Os grandes veículos continuam a demitir profissionais todos os dias. Seja no Rio, em São Paulo ou Brasília, grandes capitais até ontem contratadoras de jornalistas, ou em cidades do interior do país, a grande manchete publicada versa: “Não há vagas.”

Precisamos deixar de acreditar que são sempre os outros que precisam de nós e de nossos produtos. Temos de lembrar que a via é de mão dupla: precisamos das assessorias porque queremos personagens e especialistas em temas variados a cada matéria que redigimos. Elas precisam de nós, caso contrário, estarão fadadas a feitura de house-organs e clippings. Precisamos viver a democracia da informação e da gestão editorial se quisermos, de fato, levantar bandeiras de ordem e progresso no jornalismo brasileiro.

Não podemos mais perder tempo com picuinhas baratas. A carência de informação de qualidade é comprovadamente fruto das guerras entre profissionais de comunicação. Eticamente aprendemos, nos bancos das faculdades, que a preservação da verdade, ainda que subjetiva, e a apuração de fatos através de fontes idôneas – se possível na investigação junto a especialistas, é fator primário a ser observado na apuração de qualidade.

Certa vez um professor de Redação e Edição de Jornais, das Faculdades Integradas Hélio Alonso (RJ), disse em alto e bom som: “jornalistas são profissionais desinformados quando recebem suas pautas, por isso, precisam da investigação detalhada e prudente da informação sugerida para que redijam com qualidade e isenção. Mais que isso, precisam a cada minuto se embriagar da leitura, ainda que de bulas de remédio. Precisam ser colegas para trocarem informações e detalhes. Uma pauta só se esgota quando diz a que veio. Informação, boa rede de relacionamento e prudência nunca são demais.”

Portanto, fica claro que precisamos uns dos outros. Somos todos farinha de um mesmo saco. Somos seres famigerados carentes de informação, fontes, verdades e de espaço para veiculação de nosso material. Fazemos parte de uma categoria que precisa aprender, o quanto antes, a se transformar em comunidade. Quando aprendermos a olhar para o outro com olhos de cobiça e não de enfrentamento poderemos dizer que aprendemos a ser jornalistas, estejamos em redações ou em assessorias.

Nem só de pão vive o homem


Parece lugar comum afirmar que cada povo tem o governo que merece tanto quanto dizer que a era do pão e circo está com os dias contatos. Como atribuir culpa a um povo desinformado? Como envidar teses sobre formas dicotômicas onde para cada dono do discurso sempre há uma platéia formada? Faz-se necessária, então uma análise mais profunda. Talvez a resposta para estas indagações esteja na própria primazia arcaica da política do coitado.

Vivemos uma sociedade onde muitas vezes há pão e nenhuma água que facilite a ingestão. Sobrevivemos sobre promessas de mudança, mas continuamos acreditando nos mesmos falastrões. Cobramos ideologias e opiniões firmes, mas não ensinamos a pensar. Cobramos linhas retas, palavras bonitas e combinadas em frases com sentido, mas sequer oferecemos a oportunidade de identificação das letras.

Não ensinamos o povo a ler, mas cobramos que todos os cidadãos conheçam as leis sob penas de prisão. Enjaulamos mortos de fome, mas não apresentamos a eles uma nova forma de saciar sua gula. Cobramos muito obrigado por migalhas oferecidas, mas esquecemos do simples bom dia àquele que vemos no primeiro piscar de pálpebras a luz do sol.

Nos achamos perfeitos, sabedores do mundo e donos da verdade, mas esquecemos que um dia alguém já provou ao mundo que não existe verdade absoluta. Não nos abrimos a conselhos, porque se fossem bons não nos dariam de graça. Não aceitamos subordinação porque a cada dia temos mais certeza de que sabemos mais que outro.

Vivemos a verdade única. Acreditamos em salvadores. Estamos convictos de que basta esperar ajuda que ela vem. Não nos mexemos para mudanças, estamos estáticos à espera de dias melhores. Acreditamos que somos coitados, nos alimentamos de promessas baseadas em análises tortas, mas como alegar inexatidão se não nos damos uma segunda chance?

Estamos tortos andando em caminhos retos. A direção é uma só, mas balançamos demais nas incertezas e na falta de coragem de dar um passo adiante. Não nos mexemos, permanecemos inertes. Apertamos os botões que nos apontam sem perguntar o porquê? Opções não faltam, mas pra que pensar?

Devíamos rever a vida. Folhear o passado e aceitar nossas deficiências. Tentar ouvir o que ficou para traz nos conselhos dos avós. Enxergar com os olhos da alma porque a carne é fraca e falha. Redescobrir caminhos por onde passamos sem nos dá conta das oportunidades que lá estavam.

Enfim, precisamos lembrar a quem dedicamos nossa confiança. Reavaliar se nos foi dado, ou se demos, o peixe ao invés da vara para pescar. Lembrar que para cobrar atitudes firmes é preciso ensinar a pensar. Lógica não se ensina, se ajuda a conseguir com exemplos diversos e soluções diferentes. Política não se faz com pão e circo, se faz com educação, trabalho e renda.

Quando aprendermos a identificar as letras, a concatenar palavras com sentido lógico, a interpretar atitudes e a excluir promessas vis de nosso dia-a-dia, nos tornaremos cidadãos. Quando aprendermos que sem educação nada se constrói, saberemos escolher representantes da sociedade. Quando descobrirmos que não existem salvadores da pátria e que não somos coitados relegados à espera de ajuda, saberemos em quem votar.

Então pra que esperar mais? As eleições de 2010 estão aí. Temos de arregaçar as mangas, pedir ajuda a quem nos ensine caminhos para análise. Precisamos levantar bandeiras que nos apontem alicerces firmes para o provimento de mudanças reais. Precisamos dizer que não agüentamos mais promessas que queremos atitudes, que queremos educação. Porque só com conhecimento poderemos mudar nossas vidas e alterar o rumo de nosso país.

A educação e a questão dos métodos


Já não é de hoje que procuramos desculpas para os baixos índices de qualidade aferidos na educação nacional. Há anos se fala da falta de qualificação do professor e nada se faz para mudar a situação. Questões relativas ao salário pago, quase que irrisório, são temas de debates em toda a América Latina e nenhuma solução definitiva é apontada e executada.

Também virou lugar comum apontar o dedo em direção à carga horária de aula, trazendo como válvula de escape a jornada integral para o aluno. Eba! Vamos dar a eles alimentos três vezes ao dia, esporte, lazer, etc. Ah, esquecemos que precisamos dar livros também. Pior, antes temos de ensinar o aluno a ler! Ih, mas isso dá muito trabalho e também educa! Como as velhas raposas vão continuar no poder?

O problema da educação passa, primeiramente, pela deficiência do método. Não adianta mais insistirmos em utilizar com os alunos da zona rural as mesmas técnicas ofertadas nas grandes capitais, por exemplo. É preciso atentar, como disse o velho e saudoso Darcy Ribeiro, aos regionalismos. Porque dizer que está errado pronunciar “eu vou mais ela” em lugar de “eu vou com ela”? Os dois não vão juntos, não é uma adição?

Precisamos dar alimentos aos que tem fome de comida, mas saciar, antes, a fome de cultura. Aprender ensinado, como disse Cora Coralina. Temos de entender que um piso nacional para professores dignificará o trabalhador sim, mas não garantirá educação de qualidade porque dependendo da região onde atua o professor esta gratificação não será capaz, sequer, de custear sua requalificação. Quiçá, conseguirá um colega mais distante conhecer Darcy, Cora, Paulo Freire, Machado e Eça de Queiroz.

Um estudo apresentado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, há dez anos atrás, na Câmara Federal, pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, indicou que o Brasil precisaria investir 5,3% do PIB para garantir uma educação de qualidade. Valor definido a partir de um levantamento elaborado em 2002 que revelava necessidade de se investir anualmente entre R$ 1.714 a R$ 4.140 por aluno, dependendo da série em que estivesse matriculado. Mas até agora continuamos aplicando diretamente aproximadamente R$ 900 por aluno nas regiões interioranas do Brasil. Até quando vamos continuar errando?

Naquela época, a coordenadora do estudo, Denise Carreira, propôs que o indicador servisse de referência para regulamentação do Fundeb que hoje já deixou de ser apenas um sonho. O novo fundo propõe uma gratificação mínima de R$ 1000 aos professores do ensino fundamental em todo o Brasil, o que segundo os educadores ajudaria a motivá-los a mudar o quadro horrendo da educação nacional. Além, disso, sugere que o investimento por aluno fique na casa de R$ 1.500, o que dignificaria a educação com investimentos em materiais, laboratórios e práticas extracurriculares. Agora, resta esperar que os homens de colarinho branco que comandam a educação nacional tomam vergonha e passem a perceber que cidadãos bem formados mudam a cara de um país subdesenvolvido que há anos espera que o futuro chegue mais cedo. Temos a faca e o queijo nas mãos. Precisamos apenas cortá-lo!

Brasil. O paraíso da corrupção


Depois de tanta luta finalmente chegamos a era em que um cidadão vindo do operariado assume a presidência do país e nos faz acreditar que não mais seremos paus mandados da elite engravatada e arrogante que durante anos geriu da forma que mais lhe convinha a administração do Brasil. Foi bom ver que o povo está consciente e que não vende mais seu voto em troca de santinhos ou dentaduras. Mas, infelizmente, nem tudo é perfeito. De repente, acordo e leio nas manchetes dos jornais que Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho voltaram ao Congresso Nacional. Pior ainda, ACM queria ser presidente do Senado. Há pouco tempo, tanto ele quanto o Barbalho renunciaram aos seus cargos, acusados de corrupção, para não se tornarem inelegíveis e agora voltarem para o mesmo lugar de onde saíram como se nada tivesse acontecido. Agora, ACM vive um novo dilema: ser cassação ou renúncia! Coisas do Brasil.

No Rio de Janeiro, foi desmascarado mais um corrupto que precisou de apenas três anos no governo para desviar alguns milhões de dólares dos cofres públicos para o exterior. Um tal de Silveirinha, fiscal da receita estadual. História que me remete aos velhos anões do orçamento. Lembram deles? Naquela ocasião, o fruto do roubo do INSS também havia sido mandado para paraísos fiscais como a Suíça. Grande parte daquele dinheiro até hoje não se conseguiu recuperar. Daquela corja fazia parte o deputado Francisco Alves que subjetivava minha inteligência dizendo que sua fortuna era fruto de muita sorte no jogo. Segundo ele, Deus o havia abençoado com várias premiações na Loteria Federal. Mais tarde veio o “Lalau”. Um juiz pago pelo povo para defender o Direito que não soube direito como explicar o desvio de verbas da construção do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo.

Parei para pensar e vi que tudo continua como antes. Aqui no Rio de Janeiro os servidores fecharam os hospitais, as escolas e a universidade do Estado cobrando do executivo o pagamento do décimo terceiro salário que até hoje não saiu. A governadora Rosinha Matheus, culpa Benedita da Silva, sua antecessora, pelo déficit público causado pela má administração dos recursos estaduais. Mas Bené agora nem rebate as acusações, anda ocupada demais comandando um ministério “social” no governo federal. Enquanto isso, a CPI da corrupção instaurada pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro sugere que o marido da Rosinha, o Garotinho, também tem culpa no cartório. Afinal, foi durante seus três anos de governo que a Inspetoria de Grandes Contribuintes foi criada, o que culminou com o desvio de R$ 33 milhões dos cofres estaduais. Foi de lá que saiu o tal Silveirinha que segundo Garotinho era apenas “o sub do sub”.

Sem saber mais o que dizer para ao funcionalismo estadual, a Rosinha se tornou uma metralhadora giratória. Ora põe a culpa na Bené, ora no Palocci, alegando que o décimo terceiro não sai porque o governo federal não está tratando o Rio de Janeiro com o mesmo dengo que trata aos outros Estados. Ora bolas: ele quer que a União libere o Estado da obrigação de repasse dos recursos oriundos do ICMS carioca. Mas veja: se todos os Estados deixarem de cumprir suas obrigações fiscais para com a União de que viverá o país? Deixemos, então, que os servidores encontrem os culpados pelo não pagamento de direitos trabalhistas.Mas tentarei ser outra vez um otimista e acreditar num futuro melhor para o Brasil. É o que me resta, afinal sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor. Não me permito acreditar que um presidente vindo do povo possa passar para o outro lado só porque agora ele tem estilista para calçados personalizados, escreve com Pena e veste Armani.