segunda-feira, 21 de junho de 2010

Precisamos do mesmo do COTAR?

A sensação de segurança aumentou em Lucas? Uma pergunta difícil de se responder. Será que a simples visita feita por policiais do Comando de Operações Táticas de Alto Risco, o Cotar, é o suficiente para que a população possa andar pelas ruas ou se manter em casa sem medo? Será que um patrulhamento que por sete dias apreendeu apenas suspeitos, bicicletas, cachimbos para fumar droga e duas ou três cabecinhas de pasta base de cocaína possa ter tirado das mentes dos luverdenses a certeza de que a impunidade está no ar?

Não sabemos a respostas, mas suspeitamos que a população ainda tenha medo de passear pelas ruas do bairro Rio Verde e ser parada em falsos pedágios montados por bandidos que cobram R$ 5, R$ 10 para que o cidadão tenha o “direito” de ir e vir até sua casa. Acreditamos que ninguém se sinta seguro sem as cercas elétricas que enfeitam seus muros e vislumbram uma falsa sensação de segurança. Que nenhum cidadão esteja certo de que pode abrir seus portões eletrônicos sem medo de que um bandido qualquer invada sua casa enquanto se guarda o carro.

O que a população precisa é de um policiamento ostensivo e firme. De patrulhas que rodem pelas ruas 24h por dia. De policiais que desçam do carro e abordem todos os suspeitos vistos à toa pelas ruas às tantas da madrugada. De um conselho tutelar que responsabilize os pais dos menores que perambulam nas ruas às altas horas. De um sistema prisional que se incumba de garantir acesso à informação para que os presos de hoje não voltem às ruas amanhã ainda na condição de bandidos.

Precisamos, ainda, do empenho da sociedade na educação de seus filhos; no retorno a velha educação que impõe valores, ética, respeito, senso de responsabilidade, noção de que o direito individual não se sobrepõe ao coletivo e a certeza de que cada um pode sempre fazer mais pelo outro.

Não podemos deixar que as autoridades decidam sozinhas por onde começar a resolver o problema. Precisamos estar unidos nesta luta. Ir às ruas, fazer reuniões comunitárias, cobrar atitudes corretivas dos poderes constituídos, mas sempre sugerindo soluções para que não pequemos no apontamento das críticas vazias.

Precisamos cuidar dos quatro cantos a todo tempo: frente, costas, direita e esquerda. Não esquecendo de ler as entrelinhas, olhar mais longe e prevê que tudo pode mudar se cada um fizer sua parte. Temos que, simplesmente, ter em mente a noção exata deque nossos melhores guarda-costas somos nós mesmos e que se não nos cuidarmos ninguém olhará por nós. Só assim, nos protegendo, educando nossos filhos, criando oportunidades e dando uma segunda chance ao outro, poderemos viver em segurança.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Menores no crime: uma escolha social


De quem é a responsabilidade por evitar o envolvimento de menores com o crime? Da sociedade, das polícias, do poder judiciário, do ministério público ou da própria família? Uma pergunta difícil de responder, já que cabe a toda sociedade organizada cuidar de seus meninos e meninas. A garantia de acesso a moradia, alimentação, educação, esporte, cultura, carinho, educação e respeito deve ser pactuada.

Os primeiros gestos, toques, palavras e cuidados que vão impregnar a mente da criança devem partir da família. São eles que vão determinar as regras de convívio e moldar o comportamento, a expressão e o respeito próprio e ao próximo. De nada adiantará dizer o que é certo ou errado se dentro de casa houver agressões verbais ou físicas. Se a prostituição do corpo ou das ideias forem comuns. Se a corrupção for a estratégia para o crescimento financeiro familiar. Se a banalização das instituições fizer parte do dia-a-dia.

Se quisermos evitar que nossos jovens encontrem no crime um meio de vida ou amparo social precisaremos resgatar a família, desenvolver a cidadania e a democracia social. Forjar o caráter na ética e na hombridade a fim de que estejam preparados para dizer não às ofertas vis que o mundo aponta. Perceber que as conversas e brincadeiras em família ou entre amigos entretém muito mais que programas de TV ou vídeos de origem duvidosa expostos nas mídias/redes sociais. Não há outra escolha: só a educação livra o homem do crime.

Neste contexto, também precisamos cobrar do estado que assuma suas responsabilidades e garanta educação formal, saúde, trabalho, poder de compra e segurança pública. Da sociedade, o acompanhamento constante dos atos praticados por seus representantes legitimamente eleitos e a denúncia de cada ato de corrupção.  Do ministério público que investigue as denúncias e as comunique ao judiciário que tem a obrigação de punir todo e qualquer infrator com o rigor da lei sem se importar com classe social, grau de parentesco, cor da pele ou nível de escolaridade.

Precisamos de um ambiente limpo, democrático, próspero e de oportunidades iguais para todos. Só assim será possível colocar ponto final na corrupção e no banditismo que têm assolado o país e nos deixado viver esta constante sensação impotência perante as injustiças sociais e à insegurança pública. A formação de trabalhadores é responsabilidade da família e do estado. A criação de delinquentes e bandidos também. Cabe a cada um de nós escolher o melhor método para definir a sociedade em que queremos viver.

Adeus, AUTORITARISMO!

Foi-se o tempo em que o relacionamento pessoal era o que menos importava na relação patrão x empregado. Aquelas tiradas do “eu mando e você obedece”, se foi. Ainda há espaço para a determinação de tarefas e a cobranças, mas a conversa direta e respeitosa deve pautar a fala. Ninguém está livre do estresse do dia-a-dia, da alteração de voz e da impostação medonha da imposição, mas o respeito não pode ser esquecido.

Não é porque um paga o salário que o outro deve calar-se ao ser desrespeitado profissionalmente. Empresas sérias lidam com profissionais gabaritados quando almejam o cumprimento de metas, portanto devem manter o respeito e o tratamento adequado a quem paga os salários. Afinal de contas, compram o serviço e não a alma e a dignidade do trabalhador.

É preciso lembrar que a Consolidação das Leis Trabalhistas, a CLT, está aí para determinar direitos e deveres das duas partes. Portanto, alegar desconhecimento é crime, mesmo porque a constituição deixa bem claro que a alegação de falta de conhecimento da lei não é bengala para o cometimento imprudente do atropelo à carta magna. Além disso, assédio moral é crime passível de severas punições.

Ninguém pode ser desmoralizado ou desmerecido sem que a atitude infeliz venha acompanhada, imediatamente, de retratação e do pedido de desculpas, mesmo que os pedidos não sejam aceitos pelo ofendido. Desculpar-se não é favor algum, mas obrigação social para com a vítima do desaforo.

Foi-se o tempo em que os funcionários tinham medo de recorrer à justiça trabalhista por ameaça de desemprego em outras empresas. O mercado esta ai, ávido e aberto aos bons profissionais. O conhecimento tem preço e é a melhor moeda de barganha no mercado formal de trabalho. Os bons sobrevivem e os medíocres se calam. Faça a sua escolha!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Ode à segurança pública

A falta de segurança ou de, pelo menos, sensação de que ela existe é frustrante para o cidadão que paga seus impostos. Viver a certeza de que estamos jogados a toda sorte assusta e nos faz incapazes. Mas infelizmente este é o cenário ao qual estamos relegados: abandonados nas mãos dos fora da lei.

Isso não é ficção, pessimismo ou ironia de linhas mal traçadas, é a constatação de que estamos vivendo numa terra sem lei. Estamos abandonados. Os bandidos invadem nossas ruas, casas e empresas e não temos com quem contar senão com a boa vontade, quando existe, dos próprios malfeitores.

Estes dias, vimos na tela da televisão a triste fala do comandante da Polícia Militar, de Lucas do Rio Verde, dizendo aos cidadãos que depois de consumado um crime resta a cada um procurar à delegacia, pois esta função de amparar a vítima deve ser dos civis. Ora bolas, desde pequenos ouvimos dizer que em casos de emergência ou de necessidade de segurança devemos discar 190 em nossos telefones. Parece-me que este número, em todo o país, nos coloca em contato direto com a PM. Mas pode ser que eu esteja enganado, quem sabe?

Mas como neste mundo tudo está mudado, pode ser que na hora em que for preciso de ajuda espiritual devamos discar 193, pois dizem que por este código acionamos o resgate!

Basta um breve passeio pelas ruas luverdenses para ver que os dias são outros. Que esta cidade que abriga cerca de 50 mil habitantes já assume características sociais semelhantes aos grandes centros, certamente pelo volume de imigrantes que trafegam por suas ruas. Por aqui já existe assalto à mão armada, latrocínio, estupro, furto, roubo a bancos, assalto aos motoristas na porta de suas casas, invasão domiciliar, estupro, mendicância, fugas freqüentes da cadeia pública, tráfico de drogas, associação para o tráfico, desvio de conduta por parte de policiais e outras autoridades, consumo de pasta base no meio da rua - aos olhos de quem queira ver; corrupção e desvio de verba pública subvencionados por autoridades.

Se a polícia ainda não viu isso, certamente os policiais desconhecem as ruas que deveriam patrulhar e a sociedade que estão obrigados a proteger.

A sociedade grita aos quatro ventos a necessidade do cumprimento das regras apregoadas na Constituição Nacional, principalmente aquela que diz: todos têm o direito de ir e vir! Mas para isso, é preciso segurança; policiais dispostos a cuidar da sociedade e combater o crime a todo custo sem repassar responsabilidades. Segurança não é a ausência de conflitos, mas a presença da justiça e não estamos vendo isto em Lucas do Rio Verde.

Para se ter uma idéia, há consumidores de drogas, totalmente desvirtuados, cobrando, diariamente, pedágio ao cidadão comum para que possam trafegar pelas ruas do bairro Rio Verde, seja a pé ou de automóvel. Há desmiolados fazendo algazarra durante toda a madrugada pelas mesmas ruas pertubando o silêncio e o sono de quem trabalha e paga impostos. E estes não são importunados pelas autoridades. Dia 08 de maio de 2010, às 3h32, liguei para a PM de Lucas para reclamar da baderna destes imorais e fui mal atendido por telefone e pela falta de importância dada ao fato pela PM que sequer passou pelas ruas para conferir a denúncia.

Até quando vamos continuar aceitando esta situação? Até quando vamos nos curvar à marginalidade e a ineficiência das autoridades constituídas para o combate ao crime? Até quando vamos pagar aos bandidos para poder transitar pelas ruas sem que sejamos feridos no corpo e na dignidade? Até quando vamos ser tolhidos do direito da plena cidadania? Até quando?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Associativismo de resultados!

Esta semana, a Secretaria de Ação Social, de Lucas do Rio Verde, MT, começou a reestruturar as Associações de Bairro, ajudando, por exemplo, na formação da nova “diretoria” do bairro Alvorada. A iniciativa visa proporcionar aos moradores um meio legal de reivindicar melhorias, de forma organizada, para a comunidade, junto ao poder público.

Olhando de perto, percebe-se que a iniciativa visa democratizar o acesso do cidadão aos departamentos e setores da administração, o que já é de longe uma grande atitude. Mas é preciso lembrar que as pessoas escolhidas como representantes precisam vestir os cargos e ir à luta. Caso contrário, a imagem ficará machada nos folhetins.

O associativismo precisa ser um fórum de discussão de novas idéias que tragam no bojo as formas práticas de execução. De nada adianta pensar soluções se não for demonstrado aos “homens do poder” como fazer. Contrário a isso, o risco iminente de politicagem eleitoral. Não podemos esquecer que 2010 é ano de eleições e que comunidades “organizadas” podem ser excelentes palanques e palafitas.

As escolhas de representantes precisam ser pensadas e repensadas. Os candidatos estudados a fundo no campo das idéias, na disponibilidade para o trabalho e na vontade de servir à comunidade. Há muita gente por aí com pensamentos maiores que às associações, quiçá o palácio dos poderes e a câmara legislativa em 2012.

Muitos legisladores que esquecem dos bairros no decorrer de seus mandatos e que só se lembram de mostrar a cara nas reuniões para a formação de novas associações de moradores. Vejam: Lucas tem 11 bairros oficializados, nove vereadores e vários destes bairros esquecidos.

Vamos, sim, ser cidadãos. Nos preocupar com a coletividade humana e promover, da melhor forma, a qualidade de vida das localidades, estejam elas na zona urbana ou no campo. Vamos eleger presidentes de bairros comprometidos com as ações coletivas e descompromissados com o enriquecimento ilícito. Vamos acreditar no povo, em seus representantes fiéis; naqueles que nunca tiveram diplomas de cargos públicos. Certamente entre estes consigamos encontrar alguém sem vícios políticos, dispostos à luta e vanguardista no campo das idéias.

A aproximação da Secretaria de Ação Social das comunidades não é favor do poder público, mas obrigação dos bons administradores. Sabemos que Lucas tem como representante da pasta uma mulher, Maria Sidinir, que em toda sua história mostrou preocupação com a raça humana, com o cidadão. Precisamos, então, aproveitar sua disponibilidade, discutir suas idéias e usufruir dos benefícios sociais que, como administradora da Secretaria, ela puder trazer à sociedade.

Vamos, sim, investir no associativismo, na troca de idéias, nas ações pró-ativas, no empreendedorismo do serviço social, na certeza de que nada está perdido e que juntos podemos cada vez mais!

terça-feira, 27 de abril de 2010

Cuidado investidor!


Acertar nas escolhas é sempre uma tarefa difícil. Saber onde e como investir mais ainda. Por isso é preciso estar atento a cada oportunidade. O mercado urge por novas idéias e por melhorias nos serviços e produtos já ofertados. Num estalo você descobre o que produzir, como fazer, precificar, comercializar e ganhar dinheiro. Mas para isso é preciso estar de olhos bem abertos, pois as oportunidades não batem à porta.

O primeiro passo é colocar a cuca pra pensar. Observar o mercado, suas tendências, demandas, caminhos. Depois partir para pesquisa: ouvir o que os consumidores pensam sobre sua nova idéia, sobre os possíveis concorrentes e sacar, então, se há viabilidade comercial. Lembre-se: empresas são instituídas para gerar lucros, não despesas!

Aprovada a idéia, crie cenários para implementação de seu novo negócio. Sugiro, faça três: um pessimista, um otimista e um dentro da realidade mercadológica na praça escolhida. No pessimista, talvez você deva investir mais tempo pensando. Imagine que depois de entrar no mercado tudo de desabou. As estimativas foram negativadas, não houve demanda e muito menos lucro. Você está quase quebrado e precisa decidir: guinar para outro mercado, escolher outras estratégias e corrigir o problema ou, o mais difícil, acabar com o negócio. Esta seguramente é a decisão mais complicada e, antes de qualquer coisa, você deve pensar e repensar cada erro de estratégia para ter segurança nas ações de marketing.

No segundo cenário, você imagina como deve proceder agora que tudo deu certo: as metas foram batidas, novos clientes estão chegando e conseguimos fidelizar àqueles que surgiram e estão satisfeitos como nossos produtos/serviços, atendimento, logística, preço e condições de pagamento. Resta decidir onde investir as novas idéias, como reaplicar recursos na melhoria do negócio e onde e quanto poupar para ter sempre fôlego no mercado.

O terceiro cenário e, provavelmente aquele onde a imensa maioria das novas empresas se encontram, é aquele em que o negócio está instalado, as vendas aos poucos surgem, os primeiros clientes começam a aparecer e o que entra no caixa ainda é pouco diante as despesas fixas e daquilo que foi investido. É hora de esfriar a cabeça, pensar no que pode ser melhorado, refazer estratégias e planejar o futuro. Não adianta investir mais dinheiro sem saber ao certo onde é preciso. Por isso, faça auditorias e inventários internos ao menos a cada 15 dias. Acompanhe de perto seu novo negócio e lembre-se da máxima caipira: é o olho do dono que engorda o boi.

Acredite sempre que não adianta abrir uma empresa e simplesmente deixar que outros a administrem. Escolha bons administradores, mas aprenda com eles e com o mercado como tocar de perto e de olhos bem abertos seu próprio negócio. O que se vê hoje é uma quebradeira crescente de empresas que nascente morrem com no máximo 90 dias de alvará. Os motivos são a falta de pesquisa, planejamento e de estratégia. Não morra na praia, surfe na crista da onda do mercado!

domingo, 25 de abril de 2010

Vida


Queria escrever um verso
que pudesse exprimir meu universo
Mas tão vasto é meu desvato mundo
que poderia ficar vagabundo

Parti para o poema,
mas como uma Ema
tentei e não consegui voar

Misturei sentimentos
e toda a melancolia saltou à folha
Eram só rudimentos

Restos de amores, raivas, orgulho
tempo perdido na estrada
palavras jogadas no vento
sem eco, sentido ou sentimento

Desisti das linhas
larguei à pena
e mergulhei em mim

A aventura poética acabou,
mas o mergulho na alma
vai me trazer a tão procurada calma.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Carta aos Jornalistas


Foi-se o tempo em que os focas tinham vez nas redações de todo o país. A etapa do “me ensina que faço”, ficou para traz. O jornalista moderno precisa ser ousado, estar apto às mudanças imediatas que a profissão exige e ser, sobretudo, pró-ativo. Não há mais tempo para esperar a pauta, pensar o texto, aguardar o motorista, o fotógrafo ou cinegrafista e... É preciso tomar as rédeas da caravana e tocar os bois.

No jornalismo de hoje, onde tempo-real é necessidade na informação, tem que ter time, foco, perseverança, raciocínio lógico e perspicácia, sobretudo perspicácia. A internet está aí disposta, a todo tempo, em ser a produtora das redações. De forma menos burocrática, mais democrática e acessível que qualquer mortal. Nossos colegas, mesmo sem serem pagos para isso, nos pautam com suas matérias que nos servem de suíte para novos olhares.

Reescrever uma história não é plágio quando lembramos que a informação é plural, pública, de domínio de quem ler e, empiricamente, a absorve. Porque então o pudor burro e anti-profissional de achar que a informação tem dono? Que a mágoa submersa no orgulho te leva a outros caminhos ideológicos e tardios? Estamos vivendo o século XXI, a tecnologia da informação, a pluralidade dos fatos e a fome diária, e instantânea, de notícias.

Entrevistas são dadas todos os dias de forma coletiva aos mais diversos veículos e pares. Cabe ao profissional da informação contar a história na minúcia que melhor convir a ele a ao veículo que representa. Fazer suítes simplesmente é observar por outro ângulo a história que foi contada com falhas ou apenas por cima. É preciso aprofundamento dos fatos quando o espaço na página do impresso ou na grade eletrônica permitir. Caso contrário, faz-se necessário apenas recontar, com conteúdo, a mesma história sob um novo olhar.

Quem está na redação tem que se obrigar a ler, ouvir, assistir os mais diversos veículos de informação. Criticar o fato, a notícia, a fala, a escrita, a dicção, a apresentação do material porque a crítica ao outro é muito mais uma autocrítica. Pense nisso. Reflita! Torne-se um jornalista melhor. Se você começou hoje pense grande, seja jornalista e ultrapasse a etapa onde todos os iniciantes eram chamados apenas de focas tendo como sobrenomes José, Maria, Antônio, Washington,Robson, etc., seus nomes de batismo!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Carta ao Luverdense II


Mais uma vez a equipe da TV Conquista, chefiada por mim, jornalista Robson Fraga, foi impedida de trabalhar dentro do Etádio Passo das Emas, estádio do Luverdense Esporte Clube, em Lucas do Rio Verde. Logo no início do campeonato mato-grossensse, alguns jogadores foram impedidos pela diretoria de nos dar entrevista. Por duas vezes nossa equipe não pôde filmar os treinos, embora caiba à imprensa divulgar a preparação da equipe bem como seus jogos. Afinal de contas, somos nós que trazemos à torcida um extrato do dia-a-dia dos clubes dentro de um campeonato.

No último domingo (21), num jogo onde o LEC venceu o Sinop por 1 a 0, o atacante Paulinho Marília foi impedido de nos dar entrevista. Quando estava posicionado para falar, um dos representantes da diretoria o tirou de cena como se esta agressão à imprensa fosse coisa natural. Parece-nos incomum que dirigentes de clubes de futebol tenham medo de críticas, pois como todos sabemos são elas que nos fazem abrir os olhos e enxergar novos caminhos. Mas sempre que alguém ousa emitir opinião contrária a dos dirigentes do Luverdense é recebido ou respondido com agressões verbais, destempero e ofensas.

É preciso mais uma vez lembrar que a liberdade de expressão está apregoada pela Constituição brasileira e que alegar desconhecimento da lei também é crime. Bem como ofensas verbais que podem ser enquadradas no código civil gerando processo contra os ofensores. É bom que se saiba que assédio moral também é crime e que nesse caso o ofendido está livre do ônus da prova, já que este tipo de agressão quase sempre é feita pelo agressor longe dos holofotes.

Quando tentávamos gravar entrevista com o atacante Paulinho Marília, que marcou o gol da vitória do LEC, apenas queríamos ouvir o que pensava o jogador, mas o mesmo foi impedido, de forma truculenta, de falar conosco enquanto para outras equipes de televisão, rádio e jornal, principalmente as que vêm de fora puderam trabalhar.

A opinião dos dirigentes não pode se sobrepor a dos jogadores. Sabemos que o time não tem nada a ver com estas agressões. São profissionais que cumprem ordens. Portanto, queremos relembrar aos dirigentes do clube: liberdade de imprensa é primordial na divulgação de qualquer time dentro dos mais diversos campeonatos de futebol do país.

Não sigam o exemplo de Eurico Miranda que por tantos anos dirigiu o Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, avesso às leis, à liberdade de expressão e à lei de imprensa. Pode ser que no futuro a torcida não queira nem ouvir falar dos atuais gestores do Luverdense, como aconteceu com o ex-deputado do colarinho branco. A torcida do LEC merece ver cenas melhores dentro de campo e fora das quatro linhas.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Nas mãos do destino


A situação está insustentável. A sensação de insegurança vivida, hoje, pelos moradores de Lucas do Rio Verde é alarmante. De um a lado a polícia, que em todas as explicações diz que a situação é normal, embora todos os dias os boletins de ocorrência continuem registrando roubos, furtos, tráfico de drogas e outras mazelas sociais. Do outro lado, a imprensa que sempre cobra respostas para a sociedade e que não consegue; seja por omissão do poder público ou por que a PM não tem o que responder. Mas porque será? Será que falta verdade, comprometimento ou apenas efetivo policial, como comandante costuma a dizer!?

Sabemos que as polícias estão atuando. Mas nenhuma explicação dada até o momento justifica o excessivo número de ocorrências que são apresentados todos os dias. A sensação de insegurança continua tomando conta da população. Prova disso, são as inúmeras ligações que chegam às redações das TVs e jornais.

São moradores indignados com os furtos às residências que tomaram conta da cidade; roubos e furtos ao comércio, prostituição nas ruas, como é comum no bairro rio verde, e consumo aberto de drogas pelas ruas do mesmo bairro. Basta passar pela Rua Sarandi ou pela Avenida Bahia qualquer noite para ver menores e adultos fumando pasta base do cocaína e comercializando a droga abertamente, aos olhos de quem quiser ver.

Além disso, recebemos muitas ligações reclamando da demora da PM no atendimento às ocorrências ou pelo mau humor como os cidadãos muitas vezes são atendidos pela polícia.

E o que resta à população? Esperar sem ter respostas efetivas ou se acostumar em receber respostas prontas e ineficazes? Até quando vamos continuar convivendo com tanta insegurança na cidade de Lucas?

Não queremos saber de quem é a culpa, queremos apenas ver a cidade limpa e poder voltar a sentir orgulho de viver em qualquer bairro de Lucas do Rio Verde.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Carta ao Luverdense

O que se espera de um time de futebol, no início de um campeonato, é no mínimo comprometimento com grupo que representa, seus patrocinadores e, principalmente, com a torcida. De nada adianta vestir uniforme, calçar chuteiras, entrar em campo e não dizer a que veio. É preciso ser aguerrido, preparado, disposto, incansável, voraz e corajoso para se manter um escudo sobre o peito.

Iniciar um campeonato de forma apática, sem compromisso, simplesmente cumprindo obrigação, é desrespeito, ironia e falta de vergonha. O primeiro jogo tem que ser levado como a decisão, pois como bem dizem “a primeira impressão é a que fica”. Erros hão de acontecer, por cansaço, falta de treinamento, indisposição física – ainda que imperdoável, mas... Agora, passear em campo, assistir o jogo de dentro dele e deixar o tempo correr ao sabor do vento... isso não dá. Principalmente jogando em casa! Cadê o profissionalismo, o amor à camisa, o respeito ao torcedor?

Pior ainda é chegar ao segundo jogo, na casa do adversário, e novamente ser apenas coadjuvante. Campeonatos estaduais são vitrines para times, jogadores, mas, sobretudo, para a região, o município representado por cada equipe. É preciso chegar ao campo do oponente como um soldado: disposto a enfrentar e vencer a batalha. Futebol é isso: sangue, suor e lágrimas choradas de cansaço por ter lutado até o fim.

É certo que os campeonatos estaduais estão apenas começando, mas é preciso lembrar que cada passo é um degrau rumo ao topo do pódio. Que os erros de hoje podem representar um medíocre lugar na tabela e jogar por terra todo o empenho da diretoria, dos patrocinadores e da torcida durante todo um campeonato. É preciso ter atenção, amor, mostrar técnica, qualidade e emoção. Jogar na ponta dos cascos com cuidado, destreza, ambição e certeza de que se é capaz de chegar à última partida como favorito presenteando todos aqueles que fizeram parte da escalada com a faixa de campeão.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Show Safra 2010


Mais uma vez vimos que a força do trabalho constrói o desenvolvimento econômico de uma região. Quem visitou o Show Safra 2010, pôde perceber que o incentivo à pesquisa e a eficiência de ações empreendedoras podem sim movimentar a estrutura organizacional de um município. Em dois dias de evento muita sinergia, pró-atividade, informação e desenvolvimento tecnológico.
Multinacionais e empresas 100% brasileiras demonstraram que é possível tocar uma lavoura com apoio da biotecnologia, dos produtos híbridos, transgênicos, sem oferecer riscos nem ao produtor nem ao consumidor final de grãos como arroz, soja e milho. A mudança genética dos grãos deixou de ser um “bicho papão” para ser sinônimo de produtividade e geração de riquezas.

A Aprosoja, juntamente com a Fundação Rio Verde, reafirmou a importância da pesquisa no desenvolvimento de produtos resistentes a pragas, de maior produtividade e versáteis a diferentes tipos de solos e climas. Mais um exemplo de que a educação científica rompe barreiras com a mesma velocidade que a internet interliga o mundo. Portanto, é preciso ficar atento à importância da educação e da especialização da mão-de-obra também nas regiões agrícolas.

Outro fator que chamou a atenção foi a discussão sobre as possibilidade de colheita, armazenagem e comercialização dos grãos. De nada adianta abrir novas áreas de cultivo, investir em tecnologias sustentáveis e em produtividade sem um planejamento para armazenagem e comercialização agrícola. Os governos precisam dar condições de investimento para que os produtores construam novos armazéns para evitar que o atraso, por exemplo, na venda do milho estocado inviabilize o estoque da soja que vai ser colhida em fevereiro. O conjunto iniciativa privada/governos precisa encontrar caminhos para o escoamento da produção tendo como meta logística a exportação por meios férreos ou marítimos. O que, seguramente, reafirma a posição do Brasil como celeiro mundial.

O Movimento Pró-Lojistica mostrou que a interação social é cabo de guerra para a cobrança de medidas firmes que resolvam o problema. Através de ações junto ao Congresso Nacional e ao Estado conseguiu o empenho para escoamento da safra via Porto de Santarém, no Pará, a 600 quilômetros da divisa com Mato Grosso. Um sonho antigo dos produtores que começa a sair do papel com a reforma da BR 163, e que, segundo o deputado estadual Otaviano Pivetta, também presente ao evento, deve funcionar até 2011.

Em resumo, o Show Safra 2010 serviu de alerta para que governos e sociedade civil encontrem juntos, saídas para o desenvolvimento econômico de Lucas do Rio Verde e, em conseqüência, de toda a região.

domingo, 10 de janeiro de 2010

O jornalista

Dizem que Jornalista:

• não fala, informa;
• não passeia, viaja a trabalho;
• não conversa, entrevista;
• não faz lanche, almoça em horário incomum;
• não é chato, é crítico;
• não tem olheiras, tem marcas de guerra;
• não se confunde, perde a pauta;
• não esquece de assinar, é anônimo;
• não se acha, ele já é reconhecido;
• não influencia, forma opinião;
• não conta história, reconstrói;
• não omite fatos, edita-os;
• não pensa em trabalho, vive o trabalho;
• não vai a festas, faz cobertura;
• não acha, tem opinião;
• não fofoca, transmite informações inúteis;
• não pára, pausa;
• não mente, equivoca-se;
• não chora, se emociona;
• não some, trabalha em off;
• não lê, busca informação;
• não traz novidade, dá furo de reportagem;
• não tem problema, tem situação;
• não tem amigos, tem contatos;
• não briga, debate;
• não usa carro, mas sim veículo;
• não é esquecido, é eternizado pela crítica;
Jornalista não morre, coloca um ponto final.

* Da internet

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Feliz ano novo

Chegou 2010 e com ele novos desafios. Barreiras vão surgir, metas terão de ser alcançadas e novos objetivos atingidos. Há muito trabalho pela frente e só com dedicação, empenho, força de vontade, trabalho em equipe e garra poderemos nos sagrar vencedores. A estrada é longa, mas como em todos os anos precisamos dar o primeiro passo.

Acreditar que somos capazes e nos desafiarmos a cada manhã é a forma mais correta de nos preparamos para a luta. Somos capazes, algozes, perspicazes e apenas precisamos acreditar em nós mesmos. Chegamos até aqui e não podemos desistir. No caminho certamente encontraremos barreiras, pessoas que tentarão nos desestimular e pedras, muitas pedras a serem quebradas.

Vamos nos alimentar de gana, coragem, audácia, voracidade e vamos à luta. Há um trabalho a ser feito e o tempo não pára. A vida nos cobra esforço para manter a chama acesa, o sangue circulando nas veias, o ar enchendo os pulmões. Somos fortes, sábios, íntegros e precisamos continuar vivos.

Vamos à luta meu povo porque quem sabe faz a hora não espera acontecer. Não vamos apenas caminhar, cantar e seguir a canção, vamos escrever nossos nomes nas entrelinhas. Vamos fazer parte da história. Somos protagonistas da vida e não podemos ficar com a bunda exposta na janela para passarem a mão nela.

Acreditamos na vida, na força do trabalho, no amor ao próximo, no progresso nacional. Não somos caras pintadas, mas caras que pintam a cara e dizem a que vieram. Somos vencedores de uma nação livre, mas precisamos nos despir de preconceitos, ironias, falsidade, soberba, preguiça e mesquinhez se quisermos manter a liberdade. Damos sempre a volta por cima porque somos brasileiros, com muito orgulho, com muito amor. Estamos juntos e vamos vencer.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Marketing Político e Comunicação de Marketing



A proposta oficial do marketing designa a esta poderosa ferramenta administrativa a obrigatoriedade da criação de necessidades dentro de um determinado mercado. Cabe então, a descoberta dos valores/produtos/serviços que os consumidores desejam ou vão passar a desejar a partir da influência oportunizada pela mensagem publicitária.

Costumo dizer que se observada de forma pragmática a palavra Marketing assume sua tradução literal: mercado. Pode-se, então, afirmar que Marketing é o estudo do mercado. É uma ferramenta administrativa que possibilita a observação de tendências e a criação de novas oportunidades de consumo visando à satisfação do cliente e respondendo aos objetivos financeiros e mercadológicos das empresas de produção ou prestação de serviços.

Philip Kotler vai além, para ele "marketing é a atividade humana dirigida à satisfação das necessidades e desejos através de um processo de troca”. Por tanto, aplicar esta teoria em campanhas políticas pode tornar o jogo mais interessante, apimentado e sagaz. Fazer o eleitor perceber que numa proposta partidária mais vale as novas idéias que às críticas ao trabalho antecessor pode ser uma agradável tarefa para marqueteiros que vislumbram um lugar ao sol nas próximas eleições.

Campanhas políticas necessitam de uma gama de informações dedicadas a cada passo, palavra, gesto e ação dos candidatos. Grande parte deles não conhece o produto que está oferecendo, a idéia transmitida em seus discursos ou a resposta dos eleitores às suas propostas. Cabe aos profissionais de marketing a filtragem destes dados e informações e o repasse a seus clientes. É preciso estar alerta: todo político é absurdamente cortejado e isso pode ser o primeiro passo à derrocada de todo o trabalho. Paparicos demasiados vindos de assessores e pares partidários massageiam o ego e cegam o competidor. Opor-se ao cliente, nesse caso, é uma necessidade profissional porque o objetivo é a vitória nas urnas e não o título de “belo”.

Em marketing político, a comunicação é como uma droga: em doses adequadas é medicamento, mas se demasiadamente utilizada torna-se um veneno fatal. Tomar a palavra a todo o momento banaliza a imagem do político. É preciso saber a hora certa de falar e sempre o que dizer. Antecipar-se ao entendimento do eleitor é a saída. O discurso correto traz nas entrelinhas tudo àquilo que o votante quer e precisa ouvir. O segredo da boa comunicação está nos detalhes e na oratória moderada. A época das acusações e apelações politiqueiras ficou para trás.

Modernas campanhas eleitorais são multidisciplinares e envolvem profissionais de diversas áreas das ciências sociais e humanas aplicadas: antropologia, sociologia, política, economia, administração e comunicação social. Não existe mais espaço para improvisos baseados em intuição ou acordos políticos. A era do candidato centralizador de poder virou história. Tome como exemplo a vencedora campanha de Hillary Clinton ao senado americano após os escândalos sexuais que quase abalaram o segundo mandado de seu marido Bill Clinton, na Casa Branca. O que era para desmoralizar a imagem política da família, tornou-se trunfo quando "a família" foi posta em primeiro lugar com o perdão da esposa. Acompanhe algumas dicas e se torne um vencedor nas urnas.

ONDE O VOTO É MARKETING?

O voto é influenciado por três componentes distintos: ideológico, político e eleitoral.
  • Político - firmado de forma direta, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse fator é grande e chega a 80% da motivação dos votos.
  • Ideológico - influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afeta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.
  • Eleitoral - representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de atuação do marketing político. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir até 70% das decisões de voto.

MARKETING POLÍTICO x MARKETING ELEITORAL
  • O marketing político está relacionado com a formação da imagem a longo prazo. É utilizado por pessoas e políticos que desejam projetar-se publicamente.
  • Já o marketing eleitoral é de curto prazo. As estratégias e as táticas de comunicação são montadas em cima de um ambiente vivo, já existente, em andamento e não de um ambiente criado.

O MERCADO ELEITORAL COMPETITIVO

O mercado eleitoral competitivo é composto por dois agentes básicos: candidato e eleitores. O candidato deseja do eleitor informação e voto. Informação para poder criar programas de atuação política e o voto para chegar ao poder e desenvolver o seu programa. Por outro lado o eleitor deseja do candidato uma boa comunicação e o cumprimento das propostas e dos favores.


O ELEITOR

Um dos problemas mais clássicos da ciência política é estudar e determinar o padrão de comportamento dos eleitores. Como ele pensa e decide o seu voto? Existe algum motivo para a escolha do seu candidato, quais aspectos que padronizam essa escolha? No Brasil, através de alguns estudos realizados sobre o comportamento do eleitor, chegou-se a um consenso de que existem três leis fundamentais de posicionamento do eleitor, são elas:
  • Lei da Indiferença: Onde o eleitor ao entrar na cabine eleitoral põe fim a um difícil processo de tomada de decisão. Nessa hora ele se lembra de Pelé, de Sílvio Santos, do macaco Tião e de outras personalidades de forte presença em sua mente, menos nos candidatos, porque para ele, é tudo igual, é indiferente votar nesse ou naquele candidato.
  • Lei da Procrastinação: Representa o máximo adiamento. Sempre que pode, o eleitor adia sua decisão de voto para o período mais próximo da eleição. Cerca de 90% das pessoas ao dirigir-se a cabine eleitoral já tem o seu candidato consolidado, mas 10% ainda entram para votar com muita dúvida; são os procrastinadores. Cuidado: esses eleitores podem decidir uma campanha mais acirrada.
  • Lei da efemeridade: As idéias e aspirações da sociedade obedecem a um ciclo de vida determinado: corrupção, ecologia, violência, etc. A lei da efemeridade trata dos ciclos das idéias e aspirações; onde elas nascem, crescem, se desenvolvem, desgastam-se e desaparecem. Defender uma causa ou uma idéia num momento em que o mundo inteiro não fala mais no assunto, como, por exemplo, a unificação econômica das Américas, é tornar-se retrógrado e ultrapassado já que o combate à fome e a violência é o assunto das rodas sociais.

O CANDIDATO

O candidato é o elo entre as causas públicas e o eleitor. É a primeira vitrine dos partidos, das ideologias, das estratégias de marketing e de seus ideais. Nele está representado todo o conteúdo eleitoral: um amplo contexto entre partido, ideologia, vida e participação social. Os fatores que compõem um candidato são:
  • Potencial próprio: sua capacidade de liderança, habilidades, comunicação, capacidade de discurso e carisma;
  • Fatores Internos de pressão: grupo político (partido ou facção) e grupo de financiamento;
  • Fatores Externos de pressão: eleitores e adversários.

COMUNICAÇÃO

Cada dia que se passa às pessoas são bombardeadas por milhões de informações e estímulos e, é claro, não conseguem processar e reter todas as informações. A mente simplifica o que é recebido aceitando apenas aquilo que interessa. A arte de se fazer ouvir, comunicar e persuadir é o caminho mais rápido para tocar o eleitor. A pirâmide de Maslow, por exemplo, mostra que as reações humanas aos estímulos são determinadas basicamente pelas necessidades básicas (fisiológicas) chegando às mais elevadas (auto-realização).

A mídia eletrônica, por sua onipresença e seu poder de influência, talvez seja o melhor canal de estímulo de massa. Sua linguagem se aproxima do cotidiano das pessoas de forma simples e direta. Sem pedir licença ou ser convidado, um candidato invade a sala de estar dos eleitores é tem sua melhor chance de persuasão. Nessa hora, equilíbrio e a moderação são indispensáveis.


PESQUISAS

Para Maquiavel “a realidade é como é, não como gostaríamos que ela fosse”. Portanto, fica clara a importância da pesquisa na vida do candidato e mais ainda na vida do eleitor. Os fatores de maior relevância a serem apurados são: a imagem do candidato, sua trajetória política, carisma e empatia com o eleitor, programa de governo e sua principal meta, a profissão exercida, seu partido político, apoiadores e o grupo social em que está inserido ou se identifica.

Na eleição, como na guerra, grande parte das batalhas é decidida em tempos de paz. A preparação da campanha inicia-se com a avaliação do eleitorado, do potencial eleitoral do candidato e de seus prováveis inimigos. Devemos, então, tomar como ferramentas três tipos de pesquisas aplicáveis ao marketing político objetivando avaliar o eleitorado:
  • Pesquisas de opinião pública procuram mensurar o conhecimento da população sobre determinados assuntos como ecologia, privatização, AIDS, economia, política, área social e etc.
  • Pesquisas de acompanhamento e desempenho administrativo levantam os principais problemas da população, avaliam o desempenho dos governantes, aferem a imagem administrativa, o grau de conhecimento dos projetos e das obras realizadas e o grau de satisfação com os serviços públicos.
  • Pesquisas eleitorais, por sua vez, procuram detectar as intenções de voto do eleitor a cada momento, aferindo o potencial de adesão ou rejeição a cada candidato.

PRINCÍPIOS ESTRATÉGICOS
  • Mantenha sempre um trunfo contra seus inimigos e saiba quando deve ser acionado;
  • Conheça o que pensa o eleitor, antes de partir para a sua conquista;
  • A melhor forma de conquistar a mente a mente do eleitor é ser primeiro a chegar;
  • Não basta ter o perfil desejado pela população, é preciso associar sua imagem a ele antes dos adversários;
  • Trabalhe na linha de menor resistência ao posicionamento na mente do eleitor;
  • Procure maximizar os pontos favoráveis e minimizar as falhas, se possível convertendo-se em virtudes;
  • Procure antecipar o ciclo de idéias e aspirações que predominará no momento da eleição;
  • O eleitor sempre associará o candidato a continuidade ou mudança. Compatibilize sua imagem com a tendência predominante, respeitando os limites impostos por sua personalidade;
  • Concentre seu discurso na valorização e unidade do partido;
  • Convenção é sinal de força. Se for conveniente, antecipe a convenção;
  • Concentre forças no seu principal inimigo, não desperdice munição atirando para todos os lados;
  • Procure sempre antecipar-se aos movimentos de adversários que possam ameaçar sua posição antes que seja preciso reagir;
  • Confirme os defeitos do inimigo junto ao eleitorado. Ataque nesse ponto.
  • Procure demonstrar incoerência entre o discurso do candidato e seu passado;
  • Utilize a força de liderança para eliminar as possibilidades de reação do inimigo;
  • Redirecione forças para os segmentos que apresentam maior potencial de votos;
  • Se a polarização é inevitável, procure levar seu adversário para o campo que lhe seja mais favorável;
Fonte: VOTO É MARKETING, O RESTO É POLÍTICA. SEQÜELA, Jacques. Edições Loyola

MARKETING POLÍTICO PERMANENTE

O político eficiente tem na “comunicação” seu amuleto de sorte. Um problema resolvido não apresenta muito benefício à imagem do político, se não for adequadamente divulgado. Se o político se omite, não comunica, em determinadas ocasiões, ele deixa espaço para o crescimento da oposição e, conseqüentemente, para versões distorcidas de seus opositores.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

RIO 2016: a olimpíada é nossa!!!!


Centenas de cariocas na praia de Copacabana. Foto: Agência EFE

Como jornalista e bom carioca que sou não poderia deixar de comentar minha satisfação com a escolha da nossa Cidade Maravilhosa para sediar as Olimpíadas 2016. Depois de tantas e frustradas tentativas, finalmente vencemos esta importante disputa desportiva.

Apresentarmos ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e a todo o mundo know-how, mas, sobretudo, vontade popular para fazer decolar esta festa. Vencemos por 34 votos a segunda colocada Madri depois de uma apertada disputa. Mas o descarte das outras duas concorrentes finais, Chicago e Tóquio, logo no início do dia, nos abriu as portas para a vitória. Coube aos espanhóis a grata satisfação por seus 32 votos que os inspirarão à disputa pelos jogos de 2020.

A vitória não foi fácil. Madri ganhou a primeira votação, com 28 votos; contra 26 do Rio. Tóquio teve 22 e Chicago 18. Na segunda etapa, a Espanha ganhou apenas mais um voto. Foram 46 votos 'cariocas' contra 29 de Madri e apenas 20 para Tóquio, o que deixou os japoneses fora da disputa. O placar final - 66 x 32 - confirma o favoritismo brasileiro e dá a dimensão da responsabilidade que a cidade e o País têm.

A partir de agora o Brasil tem exatos 6 anos e 24 dias de trabalho para deixar o Rio de Janeiro capaz de representar com dignidade a América do Sul nestes jogos olímpicos da era moderna. Será preciso superar os problemas relacionados à segurança, transporte e acomodação de atletas, técnicos, jornalistas, etc., que quase levaram nossa candidatura para o ralo.

Resta confiar no empenho dos governos nacional, estadual e municipal na direção dos trabalhos e na alegria e boa vontade do carioca em ajudar nossa cidade a fazer a melhor festa esportiva de todos os tempos. Avante RIO, sou sempre MAIS VOCÊ!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Jornalismo 2.0



O jornalismo 2.0 é novo e como tudo o que nasce traz o frescor da mudança, com promessas de prosperidade e muitas incertezas. Dizer que sabemos onde essa onda gigante vai desembarcar é chover no molhado. É bom admitir logo: somos ignorantes!

Mesmo assim, podemos vislumbrar, imaginar, conhecer e principalmente deixar o novo chegar e derrubar nossas certezas. Ninguém é dono dessa verdade. O conhecimento agora é de domínio publico, não pertence a ninguém e ao mesmo tempo é de todos nós!

Esta CARTA DIGITAL DE ITU pretende alinhavar princípios, organizar conceitos, coletar experiências, fomentar idéias e propor um caminho colaborativo que, assim como o jornalismo 2.0, está sempre vivo e em constante mudança.

Elaboramos, portanto, as primeiras palavras e intenções. Uma pedra fundamental, não a verdade absoluta. Queremos inspirar em vez de ditar regras. Até porque estamos falando de um novo mundo, do qual alcançamos uma pequena parte. Há muito ainda para ser mapeado e inúmeras questões para serem resolvidas. A palavra jornalismo pode ser a mesma, mas seus significados são radicalmente diferentes. E vamos aprendendo enquanto navegamos!

Princípios & Conceitos

- Autoria colaborativa: é feito por todos e para todos. Um parágrafo escrito por você pode ser linkado e relacionado a outras pessoas, conceitos e páginas, incorporando dezenas ou centenas de autores.

- Perenidade: a notícia não morre, os fatos nunca estão consumados, estão sempre vivos.

- Não precisa de grandes corporações intermediárias: pode acontecer de cidadão para cidadão

- Exige uma mudança de atitude: menos poder e mais talento

- Está apoiado mais nos relacionamentos do que nos conteúdos: quem tem uma boa rede vai mais longe.

- Interação direta com o leitor: quem me lê não está lá, está aqui!

- Interatividade: um jornalismo que interage 24 horas por dia com as mídias, pessoas e conteúdos relacionados.

- Humanidade: em vez de “usar fontes”, interage com pessoas.

- Conexão: um jornalista 2.0 não está mais sozinho; tem a rede junto com ele.

- One-to-One: esqueça respostas padrões ou automáticas.

- Velocidade: tempo real na rede.

- Poder descentralizado: o detentor da informação se transforma em divulgador da informação.

- Afinidade: não temos mais reféns, temos fãs!

- Ética: liberdade pede mais responsabilidade. O jornalista 2.0 tem o poder da escolha.

- Profundidade: a informação é de domínio público. A qualidade da informação depende de cada um.

- Aprendiz: o jornalismo 2.0 é aprendiz em sua essência.

- Desapego: é mais saudável compartilhar do que dominar.

- Pensamento hiperlinkado: diferenciando o essencial do periférico.

- Descompressão: A informação não precisa mais ser comprimida. Ela se torna ampliada e ampliável.

Tags do Jornalismo 2.0

fórum – posts – depoimentos – comunidades – rede social – mídia social – mural – links – hipermídia – chat – twitter – coletivo - tag feeds – RSS – indexação – Ajax – Mashup – mente aberta - UGC podcast – dowload – fórum - Meme - blogesfera – blog – sms

Esta carta foi produzida no evento Jornalismo 2.0 em Itu, com a coordenação e edição de Deborah Dubner e participação de: Alan Dubner, Anicleide Zequini, Armênio Guedes, Cadu Lemos, Camila Bertolazzi, Carlos Piazza, Deborah Dubner, Fabio Steinberg, José Marcio Mendonça, Manoel Fernandes, Marcelo Coutinho, Mylton Ottoni, Olga Sodré, Pollyana Ferrari, Roberto Mayer, Rodrigo Azevedo e Rodrigo Tomba. Fotos: Valéria Bertolazzi / www.itu.com.br

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Treinamento antigafe



Por Vinícius Queiroz Galvão

O novo foco em formação profissional vai além do tradicional curso de atualização. Cada vez mais preocupadas com a imagem, empresas de diversos ramos - e até o governo - têm investido no "media training", que ensina os profissionais a lidarem com a imprensa e a se sairem bem em entrevistas.

O jornalista Nélson Lemos, que trabalha com "media training" e já treinou alguns ministrosA nova aposta pretende evitar situações de saia justa como a provocada pelo ministro José Graziano (Segurança Alimentar), que, em fevereiro, vinculou a violência urbana em São Paulo à migração de nordestinos. "Temos de criar emprego lá, temos de gerar oportunidade de educação lá, temos de gerar cidadania lá, porque se eles continuarem vindo pra cá, nós vamos ter de continuar andando de carro blindado", afirmou na época.

As Câmaras Municipais de Recife e de Fortaleza aprovaram moções de repúdio contra o ministro, considerando-o persona non grata. O Senado chegou a pôr na pauta de votação uma reprimenda a Graziano, que acabou sendo retirada.O Planalto, então, criou uma divisão de "media training" só para habilitar ministros e funcionários do alto escalão a darem entrevistas. "O 'media training' é importante e ajuda a criar um melhor diálogo com a imprensa", diz Graziano, um dos primeiros a serem treinados no governo.

Não foi só o governo que esteve nas páginas dos jornais pela saia justa causada por erro na comunicação. O time do Palmeiras passou por um mal-estar em junho, quando os jogadores ficaram dias sem falar com a imprensa, depois de alguns atletas terem negado as declarações de insatisfação com o técnico Jair Picerni que tinham sido publicadas.

Segundo as assessorias de imprensa, o principal objetivo do "media training" é preparar as pessoas para o relacionamento com a mídia."Da mesma forma que as pessoas se preparam para reuniões e apresentações de negócios, também devem se preparar para dar uma entrevista. O executivo tem de saber como lidar com a frustração de, depois de dar uma entrevista de uma hora, não ler o resultado desejado no dia seguinte", diz a jornalista Ana Julião, cuja assessoria já treinou profissionais de organizações como Bradesco Seguros, AmBev, Telefônica Celular e Petrobras.

Uma pesquisa da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) revela que as cem maiores empresas brasileiras já fizeram "media training" com seus diretores. "Hoje, uma empresa e seus representantes não podem ser analfabetos em comunicação. Existe uma necessidade cada vez maior de as pessoas se habilitarem nessa área", diz Paulo Nassar, diretor-executivo da Aberje.

"Já trabalhei com diretores de empresas que criavam dificuldades para se relacionarem com a imprensa e hoje compreendem a importância de ter um bom relacionamento", diz o jornalista Nélson Lemos, que treinou os ministros José Graziano, Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e Jaques Wagner (Trabalho e Emprego).As empresas chegam a pagar R$ 20 mil por um dia de curso para até cinco pessoas, investimento que inclui treinamento com repórteres em atividade em telejornais, com direito a estúdio e cinegrafista.

O "media training", no entanto, não ensina apenas a falar com poder de síntese ou a olhar diretamente para a câmera. O conteúdo dos cursos ensina truques para conduzir uma entrevista e indica como agir diante dos repórteres e como usar estatísticas e gráficos como dados, entre outros temas. Os treinamentos sempre têm exercícios práticos, em que se fazem simulações de entrevistas."Hoje, podemos dizer que nossos porta-vozes estão preparados para qualquer entrevista, além de serem mais didáticos, já que nosso negócio — mercado de satélites — é muito específico", afirma Cláudio Baptista, gerente de marketing da Star One, empresa de telecomunicação do grupo Embratel.

O "media training" não se restringe a corporações. A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) distribui para seus profissionais uma cartilha com dicas para que professores e médicos possam ter um bom relacionamento com a imprensa. Ironicamente intitulado de "Corra que a Imprensa Vem Aí", o manual aponta gafes cometidas e dá dicas sobre a melhor forma de atender um repórter.

Hospitais também aderiram ao treinamento. "O 'media training' foi importante para compreender que as informações devem ser passadas da forma mais leiga possível, concisa e pontual, pois o público em geral nem sempre entende os termos técnicos que nós usamos", diz o médico José Antônio de Lima, diretor do Hospital Samaritano.Para o jornalista e crítico de comunicação Alberto Dines, o "media training" quer se aproveitar das falhas da mídia. "O que eles querem é ensinar as empresas e o governo a tirarem proveito das deficiências e das mazelas da imprensa", diz.

Mayra Rodrigues Gomes, professora de ética e filosofia da linguagem do Departamento de Jornalismo da USP, concorda em parte. Mas também defende o treinamento. "Há jogada de mercado, eu concordo. Mas tem utilidade para o executivo se forem mostradas estratégias que são constantes, jogos de linguagem com que seja possível interferir na significação e, portanto, direcionar a leitura para um lado ou outro", afirma
.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Jornalismo com Ética



Pensar a ética jornalística no dia-a-dia das redações é antes de tudo cobrar do repórter responsabilidade na apuração e redação dos fatos. Definir o que é notícia e mostrá-la de forma verdadeira e clara, deixando de lado todas as convicções partidárias à pauta para refletir no texto apenas o que foi apurado in loco. Caso esta regra clássica não possa ser cumprida é melhor deixar a pena de lado e a matéria apenas na cabeça de quem a pensou. No jornalismo ético só há lugar para opiniões em colunas, artigos e editoriais.

No livro “A Reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa jornalística”, Nilson Lage mostra os efeitos colaterais da “parcialidade” no jornalismo. “Quando os militares autorizaram a instalação de empresas de seguro-saúde no Brasil, a Golden Cross montou um setor de atendimento aos jornalistas de onde partiam denúncias contra os hospitais públicos. Julgando estar prestando um serviço e combatendo a ditadura, vários jornalistas acabaram ajudando a empresa naquele início difícil dos “negócios” quando o atendimento público de saúde ainda tinha uma imagem boa.”

Outro caso que precisa ser analisado sob o ponto de vista ético é a entrevista concedida pelo jornalista Dan Rather, principal âncora da rede americana de televisão CBS, ao programa de David Letterman (26/01/01). Enquanto falava sobre os atentados terroristas de 11 de sentembro, quando Bin Ladem ordenou a destruição das torres gêmeas (World Trade Center) e do Pentágono, Rather chorou três vezes e se colocou a disposição do então presidente dos EUA George Bush: “Como americano, ele terá o que quer de mim.” O que dizer desta postura?

Já o jornalista Robert Fisk, um dos mais respeitados correspondentes no Oriente Médio, resenhou: “O mundo será levado a acreditar nos próximos dias que presenciamos uma luta da democracia contra o terrorismo; na verdade, os atentados têm muito a ver também com mísseis americanos caindo sobre lares palestinos; com helicópteros americanos jogando mísseis em uma ambulância libanesa em 1996; e com uma milícia libanesa – paga e uniformizada por Israel, o fiel aliado americano – cortando, estuprando e matando refugiados em seu caminho. E com muito mais”.

Todo repórter/redator/editor que respeita a si e a profissão que abraçou precisa ser analítico. Não pode comprar "meias verdades" e nem acreditar em “embalagens”. Tem que investigar a fundo toda e qualquer informação. Uma pauta só é resolvida quando todos os porquês são respondidos de forma satisfatória e não há mais dúvidas no ar. Isso é jornalismo ético e sério.

Luiz Garcia, editor de opinião do jornal O Globo, ensina: “Um homem público acusa outro de um delito qualquer. E temos a infantil ingenuidade de achar que o problema se resolve ouvindo o outro lado. Fulano diz que Beltrano é ladrão de galinhas – e Beltrano nega. É uma postura preguiçosa, que contribui para a impressão de que a imprensa brasileira é viciada em denuncismo. Nossa obrigação não é simplesmente ouvir os dois lados, e sim apurar o que há de verdade na história. Inclusive, se for o caso, para concluir que não há história”.

“O senhor não chamou o meu procedimento de desumano, pelo contrário, de acordo com sua percepção mais profunda, o senhor o considera o mais humano, o mais digno de todos, o senhor também admira este maquinismo”, diz o personagem de Franz Kafka (Na Colônia Penal), ao visitante encarregado de opinar sobre o cruel sistema de punição ao condenado sem qualquer direito de defesa.

É hipocrisia criar uma ética particular para justificar qualquer ato de nosso interesse. Segundo Maquiavel, “é ético o que interessa ao bem comum e não o que interessa meramente ao príncipe”. Acredito ser esta a linha mestre a ser seguida nas redações. Ética, honestidade e trabalho sério “não devem ser adjetivos ou penduricalhos gramaticais na vida do profissional de comunicação”, mas prática diária do jornalista.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Assessoria de Imprensa

Os Estados Unidos talvez sejam o país que mais investe em assessoria de imprensa governamental. Há um verdadeiro aparato técnico-profissional para informar o que faz o governo: quais suas idéias, projetos e ações, bem como para reafirmar seu poder e corrigir erros e distorções na comunicação externa. Veja como funciona esta importante engrenagem.

"Distribuíamos textos sobre tudo", diz a ex-secretária de imprensa da Casa Branca Dee Dee Myers. Durante o primeiro mandato do presidente Bill Clinton, continua ela, a assessoria de imprensa da Casa Branca distribuía aos repórteres não apenas textos de discursos, resoluções e coletivas de imprensa como também press releases, informativos, informações de referência sobre políticas, notas à imprensa sobre novos eventos, resumos de discursos e documentos políticos, análises dos pontos mais importantes de um documento e assim por diante.

"Repórteres são pessoas ocupadas, principalmente aqueles que cobrem chefes de Estado e outros líderes de governo", explica ela. "O volume de material que eles têm de cobrir é impressionante." Fornecer material impresso ajuda bastante. Resumir e distribuir material na forma impressa ou on-line significa não precisar depender da compreensão correta de um discurso ou uma declaração. Também proporciona ao porta-voz uma outra oportunidade de reafirmar os pontos principais, diz Myers.

Nos Estados Unidos, sempre que possível, as assessorias de imprensa redigem e distribuem à imprensa, em papel ou pela internet, declarações, políticas, ações e planos. Isso tem várias utilidades:

  • Ajuda as autoridades do governo e os assessores de imprensa a definir claramente o que querem dizer e a refinar sua mensagem.
  • Aumenta as probabilidades de que a mídia entenda as informações corretamente, reduzindo as más interpretações.
  • É algo que os repórteres podem consultar quando estiverem redigindo suas matérias.
  • Evita ter de responder às mesmas perguntas várias vezes porque as informações básicas são fornecidas.
  • Estimula a elaboração de perguntas mais pertinentes, baseadas em fatos, por parte da mídia.
  • Aumenta as chances de que a matéria saia com a ênfase desejada.

Fornecer resumos e análises com uma declaração ou um discurso também possibilita à assessoria de imprensa reafirmar sua interpretação das notícias.

Nos Estados Unidos, as comunicações escritas assumem muitas formas. Além disso, as assessorias de imprensa têm diversas ferramentas - visuais e orais - para se comunicar com o público por meio da imprensa. Algumas das ferramentas de comunicação mais comuns são:

ilustração

Press release, que é redigido como um artigo de jornal e às vezes utilizado como texto de artigos jornalísticos por algumas publicações. Press release é a narrativa de uma notícia em uma ou duas páginas. Deve informar quem, o quê, onde, quando, por quê e como no primeiro parágrafo, como em uma reportagem jornalística. O press release deve seguir o estilo de uma pirâmide invertida, citando as informações por ordem de importância de modo que os editores possam identificar facilmente os fatos principais. A informação-chave corresponde ao topo da pirâmide e as notícias menos importantes, à base.

Nota à imprensa, que é semelhante a um press release, mas preparada para anunciar um evento futuro, de modo que a mídia possa avaliá-lo rapidamente e decidir se deve relatá-lo ou não. A nota à imprensa também deve incluir quem, quando, onde, por quê e como. Deve ocupar apenas uma página.

Informativo ou histórico, que é um press release expandido com informações detalhadas sobre um assunto. Utiliza fatos e estatísticas, mas geralmente não faz citações e é distribuído junto com o press release. Estendendo-se por quatro ou cinco páginas, o informativo ou histórico deve ser fácil de ler e utilizar marcadores ou negritos para cada fato novo.

Ilustrações como fotos, gráficos, quadros e mapas que acompanham os press releases.

Biografia, que é fornecida com o press release. A biografia resume o histórico profissional e as realizações de uma pessoa que está sendo indicada para um novo cargo, apresentando um discurso ou participando de um evento.

Uma lista de especialistas para reforçar sua mensagem. A lista deve incluir nomes e números de telefone.

Outros textos, que podem incluir todos os tipos de material. Na Casa Branca, por exemplo, as transcrições de comentários do presidente e de informes diários do secretário de imprensa e de outros assessores são fornecidas à mídia logo após a realização dos eventos. Resoluções, declarações, anúncios de indicações e nomeações de funcionários, cartas de especialistas ou de associações profissionais em apoio à legislação proposta e outros tipos de correspondência de e para o presidente também são distribuídos diariamente à imprensa.

Clippings, que mostram essencialmente as "boas" reportagens que foram publicadas. Os assessores geralmente tiram cópias de artigos jornalísticos favoráveis a eles e as colocam em kits para a imprensa junto com outros materiais.

Perguntas, que às vezes os assessores fornecem aos repórteres para aguçar seu interesse em um tópico. Também é possível redigir algumas perguntas para os entrevistadores fazerem a um assessor. Perguntas imaginativas despertam a curiosidade.

Kits Press, que contêm vários itens sobre um determinado tópico. Os itens são inseridos em uma pasta que tem dois bolsos internos para guardá-los. No caso da inauguração de uma nova escola, por exemplo, o kit para a imprensa pode incluir:

  • Uma pasta com o logotipo da escola na capa e duas abas internas para guardar material impresso.
  • Uma nota à imprensa com detalhes sobre a hora e o local da inauguração, bem como sobre sua importância.
  • Um press release com detalhes específicos da inauguração, informações gerais e citações de autoridades importantes sobre a escola.
  • Um histórico para a mídia com estatísticas e fatos detalhados, como dados específicos sobre a construção, número de alunos que freqüentarão a escola, etc.
  • Biografia dos oradores do evento.
  • Ilustrações, como fotografias da escola.

Sugestão de pauta, que resume a idéia de uma matéria em um parágrafo e explica por que os leitores - ou expectadores - se interessarão por ela. A sugestão de pauta ou o telefonema fornece detalhes, cita nomes, descreve oportunidades fotográficas e resume o conceito da matéria.

Press releases em vídeo e áudio, que informam quem, o quê, quando, onde, por quê e como, assim como o press release impresso, mas são apresentados como uma reportagem de rádio ou televisão. As emissoras podem usar todo o material ou parte dele em uma matéria jornalística para rádio ou televisão e identificar o material como proveniente de uma fonte de relações públicas. O press release em vídeo deve ser apresentado em trilhas de áudio separadas, com o narrador em uma trilha e os trechos de falas e sons naturais em outra para facilitar a edição do som.

Tecnologia por satélite, que permite reunir-se com a personagem da notícia ou entrevistá-la e transmitir as imagens ou a notícia para as estações de televisão de todo o país. Essa tecnologia proporciona um tour de imprensa sem gastos com viagens nem perda de tempo. Em geral, os especialistas em informação pública gravam um evento e então compram tempo do satélite para transmiti-lo. Para isso, é necessário um estúdio que possa transmitir imagens e sons ao vivo e possa dar aos repórteres da televisão a oportunidade de fazer perguntas por telefone enquanto se grava a autoridade dando as respostas. As estações precisam ser notificadas de quando a transmissão por satélite estará disponível e como acessá-la.

Sonora, que é a gravação em áudio de uma autoridade do governo fazendo uma pequena declaração, como se estivesse em uma entrevista real. Alguns políticos norte-americanos gravam declarações diariamente em horários regulares e as transmitem diretamente aos repórteres ou fornecem a eles o número de uma secretária eletrônica que contém a declaração. Para isso, é necessário um gravador de boa qualidade conectado a um telefone. O material também pode ser colocado na web para transferência por download.

Linha Privada, que pode ser utilizada para gravar a agenda diária de uma autoridade governamental para referência.

Coletivas de imprensa, nas quais os assessores anunciam notícias sobre determinado assunto. Para serem eficazes e dignas de crédito, as notícias devem ser oportunas e genuínas.

Entrevistas, que dão aos assessores uma chance de falar com um repórter, em geral diretamente, e expor suas idéias de uma maneira mais profunda do que em uma coletiva de imprensa.

Conselhos editoriais, que são reuniões entre a personagem da notícia e o editor da página de editorial de um jornal, editorialistas, articulistas e repórteres de seções de notícias para discutir um tópico. As principais redes de televisão e TV a cabo também fazem reuniões similares. O conselho editorial pode dar a uma autoridade governamental a oportunidade de explicar mais claramente suas idéias, o que pode levar a mídia a compreender melhor as políticas do governo e quase sempre resulta em reportagens jornalísticas e editoriais.

Reuniões off the record, nas quais os assessores se reúnem com os repórteres para fornecer informações básicas ou contexto para tópicos de interesse jornalístico.

Artigos e colunas que as personagens das notícias utilizam para expressar suas opiniões. Alguns políticos redigem uma coluna semanal para expressar suas opiniões diretamente para o público.

Discursos, que são utilizados para promover políticas, revelar novos programas, explicar posições e obter consenso. Cópias de discursos são fornecidas à imprensa antecipadamente e enviadas a jornalistas interessados que não podem comparecer a um evento da mídia. Colocar discursos na internet também ajuda. Se possível, ao distribuir um discurso, comece com um resumo do material para dar aos repórteres uma sinopse do tema principal. Guarde sempre uma lista das pessoas para quem o material foi enviado.

Tours de imprensa, que vão além da capital e alcançam a mídia regional. Os tours de imprensa devem fornecer à imprensa local notícias relacionadas com a sua região e explicar como os cidadãos serão afetados pelas políticas do governo.

Features, que contam uma notícia de uma forma mais leve. Os especialistas em informação pública não se baseiam apenas nas seções de notícias importantes da imprensa quando redigem seus artigos, mas usam os features e outras seções também.

Internet, que é um meio de se comunicar diretamente com o público sem o filtro da mídia. A rede também proporciona rápida comunicação com os repórteres. Além disso, a internet possibilita o vai-e-vem de mensagens entre as autoridades governamentais e o público. As assessorias de imprensa podem estabelecer seus próprios boletins eletrônicos locais. A internet tem de tudo: texto, imagens, vídeo e som. As assessorias de imprensa do governo também utilizam a rede para encaminhar os usuários a um grande número de documentos originais on-line. Para ser eficaz, o site precisa ser atualizado com freqüência.

E-mails que incluam endereços eletrônicos de grupos de modo que, com um simples comando do teclado, as informações são facilmente transmitidas para diversas pessoas interessadas.

Fotográfias ou photo ops, que permitem a um assessor tirar uma foto com outros cidadãos, como os ganhadores de um prêmio, para enviar ao jornal da cidade natal dessas pessoas para publicação. Ao tirar uma fotografia e enviar pelo correio, não se esqueça de identificar as pessoas na foto e o evento.

O material disponível para a imprensa pode ser de interesse somente para alguns repórteres. Na sala de imprensa da Casa Branca, por exemplo, os jornalistas normalmente lêem e depois devolvem o press release porque não vêem relação com o que estão cobrindo. Mas é importante que ele esteja disponível para os que desejam e precisam dele.

Como Lidar com a Mídia?

O que fazer

  • Diga a verdade - SEMPRE.
  • Seja honesto e preciso. Sua credibilidade e reputação dependem disso.
  • Reconheça quando não souber a resposta a uma pergunta. Se ofereça para obter a resposta e faça isso o mais rápido que puder.
  • Corrija erros imediatamente. Afirme que não deu uma resposta adequada e que gostaria de esclarecer a confusão.
  • Evite o uso de jargões. Fale em linguagem clara.
  • Suponha que tudo o que fala é on the record.
  • Seja o mais aberto possível com a mídia.
  • Ligue para os jornalistas caso uma matéria incorreta seja publicada. Aponte e comprove o erro educadamente.
  • Mantenha uma lista de realizações. Atualize-a com freqüência. As coisas acontecem com tanta rapidez que você pode esquecer o que você, a autoridade e seu ministério ou o governo realizaram.
  • Sempre retorne as ligações, ou peça que um assistente o faça, a tempo de os jornalistas cumprirem seus prazos.
  • Tente obter as informações que os jornalistas querem, mesmo que isso signifique um esforço extra, como ficar até tarde no trabalho ou entregar o material em mãos.
  • Tenha senso de humor.

"A frustração é quase sempre intrínseca à função", diz o ex-porta-voz da vice-presidência David Beckwith. "A menos que você tenha senso de humor, trata-se, na verdade, de uma atividade cruel."

O que não fazer

  • Não minta - JAMAIS.
  • Não diga "sem comentários" - JAMAIS.
  • Não improvise, não especule e não conjecture. Bons repórteres verificam os fatos. Se você estiver errado, sua credibilidade será destruída.
  • Não tente tornar "off the record" uma informação depois de já prestada.
  • Não deixe de colaborar.
  • Não crie notícias sem ter em mãos as informações necessárias. Não faça um anúncio e depois prepare o press release e os informativos. Se você tiver o material preparado antes de uma coletiva, poderá usar o tempo depois do anúncio para explicá-lo à imprensa.

Corrigindo Erros

Se suas declarações forem distorcidas em uma matéria ou se uma informação errada for dada, tome providências imediatamente. Converse com o jornalista. Não faça ameaças. Tenha fatos para fornecer e considere que tudo que disser para corrigir o erro será on the record. Se não conseguir nada com o jornalista, vá até o editor.

Você pode pedir retratação ou correção de um erro e muitas autoridades fazem isso. Mas outros acham que trazer a questão à tona somente mantém a informação errada no noticiário. Com a internet, no entanto, notícias incorretas podem ser acessadas continuamente. Por essa razão, solicitar uma correção é quase sempre o caminho a seguir. Na verdade, a atitude a ser tomada depende do erro e de sua gravidade. Mas, no mínimo, você deve contactar o jornalista e corrigir a informação errada ou a citação incorreta.

  • Não minta.
  • Não dissimule. Se você mentir ou encobrir um fato, você perde sua credibilidade.
  • Não evite telefonemas de jornalistas.
  • Reconheça o problema
  • Explique como está sendo corrigido.