
Parecia início de namoro. Sabe quando você sabe que precisa
sair da inércia e dar o primeiro passo mas fica esperando pelo outro? Era mais
ou menos assim. Os olhares se encontravam na dúvida, os lábios se espremiam no
medo de dar um palpite errado e as mãos, ah as mãos, queriam avançar, mas
estavam presas na incerteza.
De repente as cadeiras se aproximaram, os olhares expulsaram o medo e as bocas se abriram pra primeira ideia.
- Já que está difícil começar o texto, vamos falar desta
dificuldade.
- Ah, não, isso seria óbvio demais!
- Mas como assim, nem me conhece e já está dizendo que sou
previsível?
Mulheres, ah, mulheres, complicadas, mas perfeitinhas.
Sem perceber ela acabara de ditar o tema da crônica: relacionamento. Nada
melhor pra expressar ‘dificuldades’ que os relacionamentos humanos. São como
estórias perfeitas: têm início, meio e fim; e assim são os textos. Como no
namoro, primeiro a gente decide sobre o que falar. Depois se põe à disposição, dá
um chute na timidez e cospe de uma ou outra forma o que está preso no peito.
Estava posto então o primeiro ensinamento da oficina e
certamente o objetivo daquela proposta indecente de texto a quatro mãos: escrever
é transpirar, organizar as ideias... se debruçar sobre o novo pra dominar o desconhecido.
Nada diferente do primeiro dia de namoro.
Amei! Ficou ótimo o texto. Ah... as crônicas! Como são boas de se ler e de se escrever! Um texto é quatro mãos é um desafio sedutor... é rica essa experiência de olhares trocados e cruzados. Dá crônica! rs
ResponderExcluir... é = a* quatro mãos...
ExcluirObrigado Edda. Com sua ajuda, outras e melhores Crônicas virão.
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