sexta-feira, 8 de julho de 2016

Coisa de Brasileiro?

Você certamente já deve ter ouvido falar ou conhece alguém do tipo insatisfeito: aquele sujeito que reclama de tudo e é sempre do contra. Pra ele nada está bom! Se tá calor o cara quer frio. Se você traz um doce ele diz que está de dieta, mas não deixa de lado o cafezinho melado! Se a turma combina pra ir ao cinema ele diz que vai fazer uma pipoquinha e assistir um filminho em casa mesmo, embora todo dia reclame das repetições tão comuns na televisão.

O pior de tudo é que além de rabugento o sujeito é descansado. Reclama da política, mas a cada eleição repete o voto. Fala mal do pãozinho da esquina, mas tem preguiça de andar até a outra padaria onde o francês sai quentinho de hora em hora. Não gosta do emprego e da empresa em que trabalha, mas na maioria dos casos pede aposentadoria ao patrão que assinou sua carteira há mais de trinta anos. Reclama dos juros, mas não sai de casa sem o maldito cartão de crédito.

Dizem que está no DNA de quem nasce nesta terra esperar pelo outro e pôr a culpa em alguém. Pedro Paulo reclama todo santo dia da conta de luz. Diz que o governo é pilantra, corrupto e que sobretaxa a energia há pelo menos 16 anos. Mas, dias desses, tive que o esperar por cerca de trinta minutos enquanto ele relaxava debaixo de um chuveiro elétrico pra se livrar do estresse! O cara é maluco, quase um psicopata. É também descarado. Veja você que quando saiu do banho, na maior nice, depois de gastar milhões, o malandro se revoltou com  o filho só porque o garoto tinha ligado um ventiladorzinho pra se refrescar dos quase 40 graus que torrava o Rio naquela sexta-feira de verão. Aos berros, ele exigia economia! Pode?

A mulher, dondoca frustrada, já que sempre colocou o chapéu além do alcance, todo mês gasta os tubos com gasolina para ir bater-perna no Centro da cidade, embora o metrô que passa na sua porta faça a mesma viagem em menor tempo e por preço muito inferior. Ela diz que andar de coletivo é coisa de pobre e que é de classe média; pelo menos acredita! Se vivesse na Europa certamente pensaria diferente: por lá as pessoas estão mais preocupadas com a coletividade e a sustentabilidade financeira e ambiental.

No estrangeiro, comodismo e ostentação soam mal e cada uma faz a sua parte. Por aqui a tal da lei do Gerson ainda é moda. Gente que se diz bacana, séria e compromissada, e que até reclama da corrupção, não vê qualquer problema em fazer um gatinho na luz, desviar o sinal de TV a cabo, subornar alguém na fila, o guarda no trânsito ou o funcionário público pra liberação de um documento digamos rasurado! Isso é ou não é ser do contra? Ver todo isso e não falar ou fazer nada é ou não é comodismo?

Coisa de brasileiro?