terça-feira, 26 de julho de 2016

SUS bate à porta da UTI

Que a saúde pública anda mal das pernas e precisando de atendimento em UTI todo mundo já sabe, menos o secretário de governo de Campos dos Goytacazes. Enquanto passa o tempo em articulações politico-eleitorais, o coitadinho não tem tempo para averiguar, de verdade, como andam as unidades municipais de saúde.

Em um jornal, supostamente de sua propriedade, disse ele ter recebido denúncias de moradores do bairro Jardim Carioca, em Guarus, de que no Posto de Urgência (PU) faltavam médicos: péssima notícia pra quem nunca sabe o que fazer a cada taquicardia ou palidez. O bonitinho das ocasiões especiais tomou tento, foi lá e viu com os próprios olhos que dos oito profissionais do plantão apenas dois estavam em serviço. Teve tempo ainda de verificar problemas no aparelho de raio-x, no sistema de ar-condicionado e percebeu que faltavam alguns medicamentos na farmácia pública. O problema é que estas dificuldades que só agora viu já estão pra se aposentar.

No PU tudo parece precário. O local em nada lembra um Posto de Urgências médicas. As paredes estão sem reboco em vários pontos e em outros há mofo: onde ainda há tinta ela está escondida pela sujeira. Os banheiros mais parecem fossas destampadas de tanto que fedem. Nos corredores 'cinzas' pacientes com diferentes diagnósticos ficam amontoados. O mais grave: crianças que aguardam atendimento pediátrico dividem o mesmo corredor.

Dia desses, uma senhora de 37 anos, moradora do Centro, com tonturas, náuseas, diarreia e muita dor no corpo chegou à unidade. Foi atendida por um médico que apenas a mandou tomar soro de reposição sódica nas veias. Quando chegou à sala de repouso feminino verificou que as macas/camas não tinham lençóis limpos, aliás apenas duas mantinham seus colchões rasgados cobertos por pedaços de pano usados por outros pacientes antes dela chegar.

Logo que foi medicada, a tal senhora teve uma crise e correu pro sanitário, mas pra sua surpresa não havia papel higiênico. O banheiro estava sujo e não havia nem sabão para os pacientes lavarem as mãos após suas necessidades. O marido correu à enfermaria para reclamar e se revoltou com a notícia de que banheiro sujo por ali é coisa comum. A falta de material pra higiene dos pacientes também. 
Semanas antes ele mesmo havia estado na unidade com uma infecção de pele e teve que recorrer à farmácia comercial que fica em frente ao PU para comprar a Benzetacil que iria tomar.

Já pensou se o paciente fosse o tal secretário de governo que vive às voltas com suas crises nervosas e ataques súbitos de histeria quando é contrariado por alguém?

Parece brincadeira de menino levado que fica por ai contando mentiras só pra sacanear os inimigos, mas não é. A saúde pública vive seus piores dias e só não vê quem não quer. Sabe por quê? Vou te contar: acompanhar o dia-a-dia  e corrigir problemas administrativos só dá Ibope em época de campanha eleitoral. Além disso, quem cuida do SUS não utiliza seus serviços quando a doença aparece. copel teste