Que a saúde pública anda mal das pernas e precisando de
atendimento em UTI todo mundo já sabe, menos o secretário de governo de Campos
dos Goytacazes. Enquanto passa o tempo em articulações politico-eleitorais, o
coitadinho não tem tempo para averiguar, de verdade, como andam as unidades
municipais de saúde.
Em um jornal, supostamente de sua propriedade, disse ele ter
recebido denúncias de moradores do bairro Jardim Carioca, em Guarus, de que no
Posto de Urgência (PU) faltavam médicos: péssima notícia pra quem nunca sabe o
que fazer a cada taquicardia ou palidez. O bonitinho das ocasiões especiais
tomou tento, foi lá e viu com os próprios olhos que dos oito profissionais do
plantão apenas dois estavam em serviço. Teve tempo ainda de verificar
problemas no aparelho de raio-x, no sistema de ar-condicionado e percebeu que
faltavam alguns medicamentos na farmácia pública. O problema é que estas
dificuldades que só agora viu já estão pra se aposentar.
No PU tudo parece precário. O local em nada lembra um Posto
de Urgências médicas. As paredes estão sem reboco em vários pontos e em outros
há mofo: onde ainda há tinta ela está escondida pela sujeira. Os banheiros mais
parecem fossas destampadas de tanto que fedem. Nos corredores 'cinzas' pacientes
com diferentes diagnósticos ficam amontoados. O mais grave: crianças que
aguardam atendimento pediátrico dividem o mesmo corredor.
Dia desses, uma senhora de 37 anos, moradora do Centro, com
tonturas, náuseas, diarreia e muita dor no corpo chegou à unidade. Foi atendida
por um médico que apenas a mandou tomar soro de reposição sódica nas veias.
Quando chegou à sala de repouso feminino verificou que as macas/camas não
tinham lençóis limpos, aliás apenas duas mantinham seus colchões rasgados
cobertos por pedaços de pano usados por outros pacientes antes dela chegar.
Logo que foi medicada, a tal senhora teve uma crise e correu
pro sanitário, mas pra sua surpresa não havia papel higiênico. O banheiro
estava sujo e não havia nem sabão para os pacientes lavarem as mãos após suas
necessidades. O marido correu à enfermaria para reclamar e se revoltou com a
notícia de que banheiro sujo por ali é coisa comum. A falta de material pra
higiene dos pacientes também.
Semanas antes ele mesmo havia estado na unidade com uma
infecção de pele e teve que recorrer à farmácia comercial que fica em frente ao
PU para comprar a Benzetacil que iria tomar.
Já pensou se o paciente fosse o tal secretário de governo que vive às voltas com suas crises nervosas e ataques súbitos de histeria quando é contrariado por alguém?
Já pensou se o paciente fosse o tal secretário de governo que vive às voltas com suas crises nervosas e ataques súbitos de histeria quando é contrariado por alguém?

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